Fábricas encerradas e menos procura na China leva Apple a rever previsões para 2020

A empresa acredita que vai ficar aquém da receita avançada para o final de Março, com lojas fechadas, menos procura por produtos na China e muitas fábricas que produzem componentes encerradas.

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As lojas abertas estão a funcionar em horário reduzido e têm menos clientes LUSA/WALLACE WOON

A Apple espera receitas mais humildes para o primeiro trimestre de 2020 do que aquelas que foram inicialmente previstas. Em causa está o impacto do novo coronavírus (Covid-19) na China, onde são produzidos e montados muitos dos componentes do iPhone.

Num comunicado publicado esta segunda-feira, a empresa liderada por Tim Cook avisou os investidores que não deverá conseguir atingir a receita entre 63 mil milhões de dólares e 67 mil milhões de dólares que tinha sido avançada para o período entre Janeiro e Março de 2020. “O retorno às condições normais está a demorar mais tempo do que o esperado”, lê-se no comunicado. “Como resultado, não esperamos conseguir cumprir a receita anunciada para o trimestre de Março.”

Embora a empresa não dependa dos fornecedores em Wuhan, epicentro do novo coronavírus, para fabricar o iPhone, a produção nas restantes fábricas chinesas tem desacelerado. Isto quer dizer que o tempo que demora até aos novos iPhone chegarem ao mercado pode ser maior do que o previsto, causando uma diminuição nas receitas.

A procura por produtos na China também tem diminuído, com a marca a ser obrigada a fechar as 42 lojas Apple no país devido à epidemia. “As lojas que estão abertas têm estado a funcionar em horário reduzido e com muito pouco tráfego de clientes”, justifica a empresa.

Não é uma situação completamente inesperada. Em Janeiro, durante a apresentação de resultados da empresa, o presidente executivo da Apple, Tim Cook, tinha avançado que o intervalo de valores para o primeiro trimestre de 2020 era propositadamente maior (com 5 mil milhões de dólares entre o valor mais alto e o valor mais baixo) devido à incerteza em torno do novo coronavírus. Só que agora a empresa acredita que vai ser difícil chegar aos 63 mil milhões de dólares (cerca de 58 mil milhões de euros).

O anúncio surge numa altura em que a empresa está em alta – os novos modelos de iPhone foram muito procurados durante o período natalício, empurrando as receitas da empresa para 91,8 mil milhões dólares (cerca de 83,4 mil milhões de euros), uma subida de quase 9% face ao trimestre ao homólogo. Mas não é a primeira vez que a Apple é obrigada a rever em baixa as previsões de resultados. Há cerca de um ano, a empresa fez o mesmo para os valores inicialmente esperados para o último trimestre de 2018. Na altura, o abrandamento da economia chinesa e as receitas abaixo do esperado nas vendas do iPhone no país foram apontadas como as causas para o abrandar do negócio.

A Apple é uma das primeiras empresas a actualizar a previsão das receitas devido ao impacto do novo coronavírus, mas não deverá ser a única. Além de várias companhias aéreas terem interrompido as viagens directas para a China, a Tesla encerrou a fábrica que construiu e inaugurou há pouco tempo em Xangai, o Ikea mandou os trabalhadores de dezenas de lojas para casa e cadeias de restauração como o McDonald's e a Pizza Hut encerraram milhares de restaurantes pelo país. 

Embora a grande maioria dos infectados esteja na China, o impacto da epidemia sente-se além-fronteiras. A semana passada, o Mobile World Congress (MWC),  a grande feira de Barcelona dedicada à tecnologia do sector móvel, foi cancelada com base em receios associados ao surto do novo coronavírus e às restrições de viagens associadas. O Facebook também cancelou uma conferência internacional de marketing agendada para Março, em São Francisco.