Arquitectura

A renovação deste apartamento é uma viagem à Lisboa do passado

Francisco Nogueira
Fotogaleria
Francisco Nogueira

É o arquitecto setubalense Manuel Tojal, de 36 anos, quem conta a história desta casa. No início do século XX, com o rápido crescimento do município de Lisboa na área da construção, diferentes tipologias repetiram-se um pouco por todos os novos edifícios da cidade, “de forma a rentabilizar os espaços e tornar todo o processo mais eficiente”. Na altura, o típico apartamento da capital era caracterizado por “um corredor comprido que terminava numa cozinha” e em cada uma das extremidades existia um compartimento “que poderia ser sala ou quarto”. Blocos que, “no seu projecto-base, não tinham casa de banho”, pelo que os moradores habitualmente fechavam as varandas, “transformando-as em marquises”.

O Apartamento Latino Coelho – que fica no Bairro de Picoas, mas poderia situar-se em qualquer outro “bairro típico que faz parte do imaginário de quem vive em Lisboa” – é um destes exemplos. Manuel Tojal foi contratado para “melhorar a funcionalidade” do edifício e proceder à sua renovação, mas a ideia, conta ao P3, passou sempre por “manter a identidade” do espaço. É por isso, sublinha, que a intervenção foi “pouco invasiva” e a escolha dos materiais utilizados – como a pedra de Lioz, “presente na grande maioria das cozinhas desta época” – “cuidada”. Alguns elementos, tais como trabalhados e tectos, foram igualmente preservados. Isto porque “o projecto trabalhou sempre a pré-existência com delicadeza”.

Se a tipologia antiga do apartamento já era “caracterizada por espaços de dimensões parecidas que permitiam uma maior polivalência no seu uso”, o arquitecto encontrou na proposta de homogeneização um dos principais trunfos da intervenção. Ao passo que o soalho de madeira “acompanha as diversas zonas”, a opção pelo tom verde-pastel ajuda a criar uma sensação de uniformização. Quando foi necessário demolir algumas paredes, a equipa responsável decidiu “assumir os cortes, deixando-os marcados como se de uma cicatriz se tratasse, realçando depois a diferença entre as portas antigas e as novas”.

Nova foi, por último, “a ideia de se rasgar um vão circular”, que nasceu da “necessidade de abrir a sala para a cozinha”. Esta “passagem entre dois ambientes”, observa Manuel Tojal, “deixou de ser uma mera abertura, passando a ser o motor do projecto”. A colocação do banco no meio do vão, que cumpre “a premissa inicial de separar o espaço social do privado”, permite a sua vivência “como um espaço de reflexão”.

Francisco Nogueira
Francisco Nogueira
Francisco Nogueira
Francisco Nogueira
Francisco Nogueira
Francisco Nogueira
Francisco Nogueira
Francisco Nogueira
Francisco Nogueira
Francisco Nogueira
Francisco Nogueira
Francisco Nogueira
Francisco Nogueira
Francisco Nogueira
Francisco Nogueira
Francisco Nogueira
Francisco Nogueira
Francisco Nogueira
Francisco Nogueira
Francisco Nogueira