Liga repudia racismo contra Marega em Guimarães

Avançado maliano abandonou partida após ouvir insultos das bancadas. Liga promete não deixar acto passar impune.

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LUSA/HUGO DELGADO

A Liga emitiu, este domingo, um comunicado a repudiar os actos racistas de que Moussa Marega, avançado do FC Porto, foi alvo na partida contra o Vitória de Guimarães. O órgão presidido por Pedro Proença afirma que os comportamentos vividos no Estádio D. Afonso Henriques “envergonham o futebol e a dignidade humana”, deixando a promessa de que a Liga tudo fará para que estes actos sejam punidos.

“Os valores do futebol não são compatíveis com o que se passou na noite de hoje [domingo] no estádio do Vitória Sport Clube em que um atleta não suportou mais os insultos que estava a ser alvo e optou por abandonar o jogo. Estes actos envergonham o Futebol e a dignidade humana. A grandeza da instituição Vitória Sport Clube não deve ser confundida com as atitudes de alguns adeptos que não têm lugar no futebol e no desporto. A Liga Portugal tudo fará para que este, e todos os episódios de racismo, não fiquem impunes, acreditando que esta é uma luta sem cores e onde todos são decisivos para a erradicação deste flagelo”, escreve a Liga na sequência do incidente.

O avançado maliano — ex-jogador do Vitória de Guimarães — ouviu insultos das bancadas após ter marcado o golo que selou o triunfo “azul e branco” na partida. Durante os festejos, foram ainda arremessadas cadeiras na direcção do jogador, num momento em que Marega gesticulava para as bancadas.

Após alguns minutos de confusão, o jogador do FC Porto fez um gesto para o banco, pedindo a substituição. Imediatamente, o avançado foi rodeado pelos colegas de equipa, que lhe pediram para permanecer em jogo. Também os jogadores adversários conversaram com Marega, no sentido de demover o maliano. Contudo, o jogador acabaria mesmo por sair, forçando Sérgio Conceição a colocar em jogo Manafá, aos 71 minutos.

O próprio treinador do FC Porto, Sérgio Conceição, recusou-se comentar as incidências da partida, lamentando os insultos que motivaram a saída de Marega do relvado.

“Perdoem-me de não falar do jogo, mas passa para segundo plano quando acontece algo do género. Estamos completamente indignados com o que se passou. Sei da paixão que existe no Vitória pelo clube, mas pensei que a maior parte dos adeptos não se revê na atitude de algumas pessoas que estavam hoje na bancada a insultar desde o aquecimento o Moussa. Nós somos uma família independentemente da nacionalidade, da cor da pele, da altura, da cor do cabelo. Somos uma família, somos humanos. Merecemos respeito. O que se passou aqui é lamentável. Lamentável”, afirmou o treinador dos “dragões”.

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