Detido artista russo que publicou vídeo sexual de candidato à câmara de Paris

Piotr Pavlenski era procurado pela polícia por ter estado envolvido numa rixa violenta na noite da passagem de ano, dizem os media franceses.

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Piotr Pavlenski com os lábios cosidos, em 2012, num protesto de apoio à banda punk russa Pussy Riot Trend Photo Agency/REUTERS

O artista e activista russo Piotr Pavlenski foi detido neste sábado em Paris, noticia a AFP. É em seu nome que está está registado o site onde foi divulgado o vídeo de cariz sexual com o ex-ministro Benjamin Griveaux, que era até sexta-feira o candidato à presidência da câmara de Paris do partido de Emmanuel Macron.

Pavlenski, de 35 anos, tornou-se conhecido pelas performances chocantes em mutila o seu corpo – cortou parte de uma orelha, coseu os lábios, pregou os órgãos genitais ao asfalto frente ao Kremlin – num acto de protesto contra a repressão. Foi obrigado a sair da Rússia e obteve asilo em França em 2017, apesar de sobre ele penderem acusações de violência sobre uma actriz de 23 anos. Este nega essas acusações, que diz serem kompromat, uma montagem do Kremlin para o desacreditar, diz o jornal Le Figaro.

Em 2016, foi galardoado com o Prémio Vaclav Havel da Dissidência Criativa, quando se encontrava em prisão provisória, por causa de uma das suas performances. Mas mal teve os 42 mil dólares do prémio, quis entrega-los à defesa de seis jovens russos acusados de ter assassinado polícias. O júri reviu a sua decisão e retirou-lhe o prémio, conta o Le Figaro.

Com este site, além de divulgar o vídeo escreveu um artigo sobre Griveaux, onde revela mensagens enviadas pelo político a uma rapariga. Pavlenski diz que pretende “denunciar os altos funcionários e representantes políticos que mentem aos seus eleitores e impõem à sociedade o puritanismo que eles próprios desprezam”, refere o Le Parisien.

A detenção, um dia depois de Griveaux se ter visto forçado a desistir da corrida à câmara de Paris – as eleições estão a apenas um mês de distância, o que cria um sério problema para o partido A República em Marcha – foi feita porque Pavlenski era procurado pela polícia por ter estado envolvido numa rixa violenta na passagem de ano, diz ainda o Le Parisien.