“Quem nunca recorreu à Internet para saber mais sobre uma determinada doença?”

Os fenómenos de desinformação e fake news disseminam-se em grande escala, também nas questões relacionadas com a saúde. Mas o que fazer?

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A emergência da literacia mediática é uma realidade no nosso quotidiano e a ausência de competências nesta área compromete, cada vez mais, o exercício da cidadania nos diversos domínios da actividade humana.

Diana Pinto, investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, da Universidade do Minho, realizou um estudo sobre Literacia Mediática para a Saúde que apresenta algumas soluções para combater e enfraquecer os poderosos fenómenos da desinformação e fake news. O foco está, sobretudo, em evitar comportamentos de risco e procurar os aliados certos.

A partir do momento em que os media (em especial, os novos media) assumiram uma posição privilegiada na comunicação, informação e relação entre os indivíduos, permitindo que estes, de forma fácil e imediata, fossem, para além de consumidores, produtores de conteúdos, a educação para os media tornou-se inevitável.

No que diz respeito, especificamente, à educação mediática para a saúde são várias as questões que exigem reflexão.

Acompanhando o avanço científico e tecnológico, o fluxo noticioso nesta área aumentou e, com ele, os fenómenos de desinformação e fake news disseminam-se a grande escala. Vários estudos comprovam que são precisamente estes conteúdos, muitas vezes construídos com aparente qualidade, mas com imprecisões e informação falsa aqueles que mais rápida e amplamente são partilhados no mundo digital. Fenómenos como o movimento antivacinação, a defesa da Terra ser plana e, mais recentemente, o novo Coronavírus são alguns dos exemplos.

Muitas das temáticas das ciências chegam aos alunos através dos media: redes sociais, filmes e séries, vídeos no YouTube. Incentivar a problematização, a pesquisa de factos de acordo com os critérios de fiabilidade, a avaliação antes da partilha, a verificação das fontes de informação, simplificar o discurso científico de forma a torná-lo acessível aos cidadãos (em particular aos mais novos) são algumas das estratégias que devem alimentar a interação indispensável entre a escola, os media e a comunidade científica.

Diana Pinto, convidada do programa de Educação para os Media promovido pelo MILOBS (Observatório sobre Media e Literacia da Universidade do Minho) e Antena 1, Ouvido Crítico, partilha algumas das conclusões do estudo que realizou no âmbito da sua tese de doutoramento sobre Literacia Mediática em Saúde. Segundo a autora, os jovens que inquiriu reconhecem “que nem tudo o que está na Internet é confiável, principalmente nas redes sociais, mas como é tão fácil, tão cómodo e como lhes devolve tanta informação, isto sobrepõe-se ao facto de muita coisa do que está lá não ser verdade”.

Facultar às escolas instrumentos e documentos produzidos pelos media com linguagem adequada às idades dos alunos, sensibilizar e esclarecer os pais sobre estas questões (uma vez que são eles a quem os jovens recorrem em 1º lugar, para esclarecer dúvidas de saúde), desenvolver uma rede social exclusiva à temática, incentivar a discussão de ideias, “de modo aberto, livre de tabus, preconceitos e estereótipos” são algumas das pistas apontadas por Diana Pinto para melhorar a literacia mediática em saúde e, consequentemente, diminuir comportamentos de risco.