Câmara de Braga sem propostas para compra da Fábrica Confiança

Nenhum dos potenciais compradores que apareceu na sessão de licitação do edifício da antiga saboaria e perfumaria ofereceu sequer o valor-base de 3,65 milhões de euros, depois de alguns deles terem pedido esclarecimento sobre os processos. Câmara admite remarcar venda do imóvel.

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Câmara de Braga admite remarcar a venda do edifício da antiga saboaria Nelson Garrido

O edifício da antiga fábrica Confiança vai continuar, por ora, na posse da Câmara Municipal de Braga, depois de não ter aparecido qualquer proposta de aquisição na hasta pública, terminada em menos de dois minutos, no edifício Gnration.

Presidente da sessão, a vereadora responsável pelos equipamentos municipais, Olga Pereira, anunciou o valor-base de 3,65 milhões de euros, mas ninguém subiu o valor ou sequer respondeu, apesar de estarem presentes na sala figuras como o empresário bracarense Veloso de Azevedo, proprietário de parte do terreno das Sete Fontes, que questionou a comissão da hasta pública sobre a necessidade de pagar taxas de urbanização e compensação após a compra, tendo alegado que há um regulamento que prevê isenção a quem comprasse imóveis à Câmara.

No final da sessão, a vereadora municipal disse “não ter ficado surpreendida” com a falta de propostas, uma vez que não fazia ideia que propostas poderiam ser apresentadas. O impasse em torno do edifício, acrescentou, vai obrigar a Câmara a “tomar uma decisão sobre o assunto”, que deve passar pela remarcação da hasta pública. Olga Pereira referiu também que a autarquia vai responder, entretanto, à providência cautelar que visa a suspensão do Pedido de Informação Prévia apresentado em 08 de Janeiro, que, segundo o município, preserva o edifício industrial, cujo formato remonta a 1921, após projecto de José Vilaça, e viabiliza a construção de um edifício de sete pisos na área traseira, que vai oferecer alojamento para 300 estudantes universitários.

Essa providência cautelar foi interposta pela plataforma cívica Salvar a Fábrica Confiança, em 5 de Fevereiro, tendo sido despachada pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga no dia seguinte. O movimento composto por 20 associações do concelho esteve na cerimónia, e um dos seus representantes, Luís Tarroso Gomes, salientou, no final, que o edifício foi comprado pela Câmara num processo entre 2011 e 2012 – o imóvel acabou expropriado à empresa Urbinew por 3,9 milhões de euros - e que esta “guerra” pelo seu usufruto público arrasta-se desde o final de 2002, quando se iniciou o seu processo de classificação patrimonial. “Os bracarenses estão habituados a lutar pelo seu património, como já aconteceu no caso do Mosteiro de Tibães, nos anos 80, e no caso das Sete Fontes, a partir dos anos 90. Vão continuar a fazê-lo, apesar da entidade que o devia fazer, a Câmara, não o fazer”, reiterou.