Coronavírus: Portugal estuda hipótese de identificar contactos de viajantes provenientes de áreas afectadas

Desde domingo está a ser distribuída informação a bordo nos três voos semanais com origem na China, disse a ministra Marta Temido em Bruxelas. Os 27 Estados-membros preparam-se para eventuais falhas no abastecimento de medicamentos.

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A ministra da Saúde francesa Agnes Buzyn e a portuguesa Marta Temido na reunião de hoje em Bruxelas sobre o novo coronavírus EPA/OLIVIER HOSLET

Portugal está a equacionar a possibilidade de identificar os contactos recentes dos passageiros provenientes de áreas afectadas pelo surto de coronavírus, medida que poderá ser adoptada “nas próximas horas ou nos próximos dias”, mas não pondera para já o controlo das fronteiras para evitar a propagação da nova estirpe de coronavírus, afirmou esta quinta-feira a ministra da Saúde, Marta Temido, em Bruxelas.

“O controlo de cidadãos nas fronteiras neste momento não está em cima da mesa, poderá noutra fase ser equacionada, mas neste momento não”, assegurou Marta Temido à saída da reunião extraordinária de ministros da Saúde da União Europeia, que foi convocada de emergência pela presidência do Conselho para acertar a coordenação da resposta ao nível europeu de forma a evitar a propagação da nova estirpe de coronavírus (Covid-19). “Todos os países que estiveram na reunião” reforçaram “a preocupação em adoptar medidas proporcionais e de acordo com aquilo que é a evidência científica e as recomendações da OMS [Organização Mundial de Saúde] e do European Centre for Disease Prevention and Control [Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças]”, acentuou. 

Em relação a medidas operacionais e logísticas, o que os 27 Estados-membros estão já a avaliar é a possibilidade de aquisição conjunta de equipamentos de protecção individual, que ainda terá de ser trabalhada a nível técnico, e a forma de coordenar esforços para evitar eventuais problemas futuros que possam surgir nas cadeias de abastecimento, nomeadamente de medicamentos, uma vez que muitas empresas e “uma parte da indústria farmacêutica têm na sua cadeia de produção países de regiões mais afectadas”, acrescentou. 

Mas, mais do que medidas novas, que não estão para já em cima da mesa, Marta Temido frisou que o que resultou desta reunião foi sobretudo um acordo sobre princípios gerais a observar nesta fase do surto do novo coronavírus, como o da coordenação da actuação dos Estados-membros, a necessidade de preparação, de uma “comunicação transparente e honesta com os cidadãos” e também de “proporcionalidade”.

Reforçando a necessidade de se seguir as recomendações da OMS, a ministra lembrou que o período de isolamento de pessoas repatriadas da China para a UE é de 14 dias, ainda que um estudo recente tenha concluído que o período de incubação do novo coronavírus poderá estender-se aos 24 dias. "Tanto quanto é do nosso conhecimento, há um único estudo nesse sentido, cuja análise merece melhor cuidado”, disse.

A responsável pela pasta da Saúde recordou ainda que desde domingo está a ser distribuída informação a bordo nos três voos semanais provenientes da China com destino a Portugal. “Os nossos voos já foram preparados com todo o tipo de materiais para serem distribuídos pelos viajantes, com informação detalhada sobre aquilo que podem ser sintomas e aquilo que podem fazer: números de contacto e informações úteis para o caso de poderem ser encaminhados, se alguma coisa se passar com eles. E aquilo que estamos agora a equacionar é também a utilização de formulários de identificação de contactos recentes dos passageiros.”

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