Bloomberg paga a rede de influencers para atrair voto jovem

Magnata já gastou mais de 300 milhões de euros na sua campanha, apesar de ainda não ter ido a votos nas primárias.

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Milionário prometeu "gastar o que for preciso" para derrotar Trump Reuters/DOUGLAS STRICKLAND

O multimilionário Michael Bloomberg, candidato à nomeação democrata para as presidenciais norte-americanas de Novembro, está a pagar aos gestores de algumas das páginas mais influentes de redes sociais como o Instagram para tentar conquistar o voto dos mais jovens

As publicações em tom humorístico, encomendadas a influencers e criadores de conteúdos, seguem praticamente todas o mesmo formato: numa imagem que replica uma troca de mensagens, o ex-mayor de Nova Iorque (e detentor de uma fortuna avaliada pela revista Forbes em 50 mil milhões de euros) contacta páginas para criar conteúdo sobre a campanha. As interacções seguem sempre o mesmo modelo de piada: num destes posts, o empresário pergunta se uma página está disposta a criar um meme que prove que Bloomberg é “o candidato fixe”. Depois de mostrar uma primeira ideia, o interlocutor revela que a publicidade custará mil milhões de dólares (sugerindo que a tarefa é impossível), ao que o multimilionário responde apenas perguntando se pode usar cartão de crédito para pagar.

“Apesar de uma estratégia de memes poder ser uma novidade numa campanha presidencial, acreditamos que esta será uma forma eficaz para chegar às pessoas e competir com a poderosa operação digital de Donald Trump”, explica a porta-voz de Bloomberg, Sabrina Singh, citada pela BBC

A estratégia humorística de Bloomberg tem as suas raízes num fenómeno viral ocorrido em Dezembro, quando dois comediantes criaram um falso vídeo de campanha em que supostos apoiantes do milionário dançam de forma embaraçosa (na verdade, o vídeo era uma paródia aos apoiantes de outro candidato democrata, Pete Buttigieg). O vídeo tornou-se viral, com muitos dos utilizadores a não conseguirem perceber que se tratava apenas de uma brincadeira, a acreditarem que se tratava de facto de um vídeo de campanha de Bloomberg. O nova-iorquino, porém, viu ali uma oportunidade, arregimentando entretanto mais de uma dezena de contas (com cerca de 60 milhões de seguidores) que publicam esporadicamente conteúdo patrocinado pelo magnata.

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Um dos memes patrocinados por Bloomberg @FuckJerry/Instagram

Se o candidato não conseguir assegurar a nomeação pelo Partido Democrata para as eleições contra Donald Trump, não será certamente por falta e fundos: o antigo autarca já tinha prometido “gastar o que for preciso” para impedir o segundo mandato de Trump na Casa Branca. A CNN estima que o empresário já gastou mais de 350 milhões de dólares (cerca de 322 milhões de euros) nos primeiros três meses de campanha eleitoral, apesar de ainda não ter disputado qualquer eleição primária

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Publicação de influencer patrocinada por Bloomberg @FuckAdvertisments/Instagram