Salvini vai ser julgado por ter bloqueado entrada de 131 migrantes em Itália

O Senado decidiu esta quarta-feira levantar a imunidade do líder do partido de extrema-direita.

O ex-ministro do Interior de Itália, Matteo Salvini
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O ex-ministro do Interior de Itália, Matteo Salvini LUSA/Riccardo Antimiani

O ex-ministro do Interior de Itália Matteo Salvini vai ser julgado em tribunal, acusado de sequestro ao bloquear o desembarque de 131 migrantes em Julho de 2019, depois de o Senado lhe ter retirado a imunidade esta quarta-feira.

O Senado (câmara alta do parlamento italiano) decidiu levantar a imunidade do líder do partido de extrema-direita Liga para que seja julgado pela sua política de migração quando era ministro do Interior no Governo de coligação apoiado pelo Movimento 5 Estrelas, anunciaram as agências de notícias AFP e Efe.

Salvini terá de responder pela sua política de portos fechados e por impedir que migrantes resgatados por organizações humanitárias desembarcassem em Itália, mantendo-os durante vários dias trancados nos barcos das ONG.

O ex-ministro será julgado nomeadamente por um caso que remonta a Julho passado, quando impediu que 131 migrantes pisassem Itália, obrigando-os a manter-se a bordo de um navio da Guarda Costeira italiana por cinco dias.

No domingo, Matteo Salvini considerou, numa entrevista divulgada pelo jornal La Stampa, que a única coisa que fez foi defender o país.

É uma loucura, não sei quanto custa em termos de pessoal e de dinheiro demonstrar que sou um criminoso, mas não tenho medo e explicarei que defendi o meu país”, afirmou.

O líder da extrema-direita italiana assegura que aplicou a sua “política de portos fechados para tentar pressionar o resto dos Estados-membros da União Europeia (UE) a aceitar a realocação destas pessoas.

Em Janeiro, e por instrução do próprio Matteo Salvini, a Liga votou na Junta de Imunidade Parlamentar do Senado a favor de permitir o seu julgamento, uma estratégia do partido de extrema-direita que, segundo referiu então a imprensa, visava ganhar notoriedade e votos antes das eleições regionais em Emília-Romanha.

A votação na Junta não é, no entanto, vinculativa e a decisão final cabe apenas ao Senado, que esta quarta-feira votou a favor de um julgamento.

Salvini encontra-se actualmente na oposição, depois de ter abandonado em Agosto passado a aliança governamental que mantinha com o Movimento 5 Estrelas (M5S, antissistema), numa tentativa fracassada de provocar eleições gerais antecipadas em Itália.

O M5S e PD acabariam por unir forças para dirigir o país e impedir a subida ao poder de Salvini, uma vez que as sondagens atribuíam na altura ao líder da extrema-direita 36% das intenções de voto.