Alenquer vende antiga fábrica de lanifícios por 1, 1 milhões de euros

O vencedor fica obrigado a construir ali uma unidade hoteleira com SPA e aparthotel e a manter a traça arquitectónica da fachada.

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A Câmara de Alenquer concretizou, esta terça-feira, a venda, em hasta pública, do que resta da centenária Fábrica de Lanifícios Tejo, situada em pleno centro da vila sede de concelho. A única empresa concorrente vai pagar 1,110 milhões de euros pelo imóvel e compromete-se a construir ali uma unidade hoteleira com SPA e um auditório.

A Sunshine Life – Investimento Imobiliário, Unipessoal Lda. foi mesmo, de acordo com a autarquia alenquerense, a única empresa que se apresentou à hasta pública lançada no passado mês de Dezembro, com um preço base de 1,1 milhões de euros. A vencedora tem, agora, prazos definidos para apresentar o projecto de execução das obras, que deverá manter as características da fachada da antiga fábrica, inaugurada em 1889. Só depois da apresentação e aprovação do projecto é que será celebrada a escritura final de venda.

“Nos termos da hasta pública, o vencedor fica obrigado a construir ali uma unidade hoteleira com SPA e aparthotel e a manter a traça arquitectónica da fachada da antiga fábrica. O projecto terá, também, que contemplar um auditório que deverá ser cedido durante 20 horas mensais ao município alenquerense”, acrescenta a Câmara, explicando que a empresa deverá pagar 10% do valor da adjudicação num prazo de cinco dias e os restantes 90% no acto de celebração da escritura final. A Sunshine Life terá um prazo de cinco anos para elaborar o projecto e concluir as obras.

A antiga fábrica, também conhecida por “Chemina”, é considerada uma das mais importantes memórias do passado industrial do concelho e, depois de várias tentativas de dar um destino ao imóvel, a Câmara optou agora pela venda, frisando que a instalação de uma unidade hoteleira no centro da vila é uma aspiração antiga, capaz de contribuir para a dinamização económica de Alenquer e do concelho. 

“O que tentamos é preservar o edifício e não aliená-lo de qualquer maneira. O que queremos é a requalificação daquele espaço e a preservação de um edifício que é um ex-libris de Alenquer”, sustenta Pedro Folgado, presidente da edilidade alenquerense. 

Edifício tem 130 anos e ardeu em 1999

A antiga Fábrica de Lanifícios Tejo foi inaugurada em 1889, junto ao rio de Alenquer, em pleno centro da vila. Já na década de 70 do século passado entrou em acelerada decadência e fechou no iniciou da década de 90, deixando os cerca de 30 funcionários que restavam no desemprego. Em 1994, a Câmara de Alenquer decidiu adquirir o velho imóvel industrial, alegando que pretendia assegurar a sua salvaguarda como valor do património concelhio e adaptá-lo para a instalação de um museu e de outras valências culturais.

Mas, já em 1999, o edifício sofreu um incêndio de grandes dimensões, que consumiu o telhado e todo o seu interior, assentes em estruturas de madeira, e fragilizou a extensa fachada virada para o rio. Nos últimos 20 anos várias possibilidades de reaproveitamento foram ventiladas, mas nenhuma avançou. Uma primeira hasta pública para venda lançada na década passada também não despertou o interesse de nenhum concorrente. Agora, a segunda tentativa para alienar o antigo edifício industrial foi mais bem sucedida.

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