Crónica de jogo

Sporting vence e sobe ao pódio do campeonato

“Leões” estiveram a perder em Alvalade, mas conseguiram dar a volta ao resultado e chegar ao terceiro lugar da classificação.

Mathieu (direita) apontou um belo golo na cobrança de um livre
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Mathieu (direita) apontou um belo golo na cobrança de um livre LUSA/ANTONIO COTRIM

Entre uma manifestação a exigir a demissão do presidente Frederico Varandas no exterior do Estádio José Alvalade e um público frio e descrente nas bancadas, o Sporting conseguiu regressar aos triunfos no campeonato este domingo, batendo o Portimonense por 2-1. A equipa de Silas esteve em desvantagem, mas conseguiu dar a volta ao resultado e subiu ao terceiro lugar da classificação.

No meio deste clima de constante instabilidade, os “leões” acabaram por ser felizes na 20.ª ronda da Liga. Para beneficiar dos desaires do Sp. Braga (empate caseiro com o Gil Vicente a duas bolas) e do Famalicão (goleado em casa pelo Vitória de Guimarães, por 7-0), os lisboetas estavam obrigados a derrotar a turma algarvia, desesperada por pontos para a sobrevivência no primeiro escalão.

O silêncio sepulcral nas bancadas nos minutos iniciais do encontro contagiou os jogadores sportinguistas. Entraram tímidos na partida, sem pingo de agressividade, assistindo com passividade ao adversário a instalar-se por largos momentos no seu meio-campo.

Com o recém-chegado reforço Sporar a estrear-se a titular na frente atacante, a equipa “leonina” demorou quase metade do jogo a assentar o seu futebol. Os lances de perigo dos lisboetas foram escassos no primeiro tempo e sempre na sequência de lances de bola parada.

Um deles acabou por originar um golo brilhante ao defesa central Mathieu, na cobrança de um livre directo, à passagem da meia-hora. A bola entrou com velocidade junto ao poste direito, sem qualquer hipótese de defesa para o guarda-redes japonês Gonda. Antes, já um cabeceamento de Battaglia, após um canto, testou os reflexos do dono das redes portimonenses, logo aos 3’.

Pelo meio, as frias bancadas ainda ficaram mais geladas quando os algarvios chegaram à vantagem no marcador, na primeira vez que criaram perigo. Num lance bem desenhado e melhor finalizado, Dener circulou com a bola em zona frontal, assistiu o veterano Jackson Martínez e o ex-avançado do FC Porto fez recordar os melhores momentos da sua carreira. Tirou Neto da frente e rematou colocado à meia-volta, com a bola ainda a ser desviada pelos dedos de Maximiano para o ferro, antes de caprichosamente entrar.

Três centrais “desmontados"

O empate ao intervalo não agradava aos donos da casa, que regressaram para o segundo tempo com uma alteração. Silas desmontou o seu habitual sistema de três centrais, fazendo sair Neto e chamando Jovane para reforçar o ataque. A equipa ganhou mais equilíbrio e maior criatividade a partir dos 60’ quando Plata rendeu Camacho.

Seis minutos depois, um dos dois únicos erros defensivos do Portimonense esteve muito perto de dar golo, mas Vietto isolado perante Gonda, acabou por permitir a defesa do seu adversário.

Mas aos 72’ o guarda-redes dos algarvios seria impotente para evitar o autogolo de Jadson. Após um cruzamento de Acuña e um cabeceamento de Jovane, o defesa brasileiro acabou por ser infeliz na tentativa de corte.

O mais difícil estava feito, com o Sporting a passar para a frente do marcador. O Portimonense teve de arriscar mais, mas também abriu mais espaço na sua retaguarda, aproveitado pelos “leões” para criarem muito perigo em várias transições ofensivas. O terceiro golo rondou a baliza do Portimonense, mas Gonda e o poste (Wendel, aos 89’) acabaram por evitar um resultado mais desnivelado.

O público saiu de Alvalade menos tenso, mas a contestação a Frederico Varandas está para durar. Pouco antes do início da partida, a demissão do presidente foi exigida por cerca de três mil adeptos, concentrados no exterior do estádio. Uma manifestação organizada que cresceu após o final do derby com o Benfica em futsal (2-0 para os “leões”), quando muitos elementos das claques se juntaram aos insatisfeitos.

Protestos que se transformaram em agressões ao vogal da direcção Miguel Afonso e sua filha, e tentativas de agressão ao vice-presidente Filipe Osório Castro.

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