“De um extremo ao outro”: chuvas torrenciais na Austrália, depois de fogos históricos

Prevê-se que as chuvas, que continuarão nos próximos dias, sejam das maiores dos últimos 20 anos.

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Espera-se que em Sydney a precipitação total possa chegar aos 130mm de chuva entre a manhã de sexta-feira e a manhã de sábado EPA/BIANCA DE MARCHI

Apesar do risco de inundações e deslizamentos de terras, as chuvas que se prevê que sejam as maiores dos últimos 20 anos, estão a ser recebidas, esta sexta-feira, com grande alívio pela população de Nova Gales do Sul, na Austrália. 

Depois de meses a batalhar as chamas, enfrentando temperaturas anormalmente altas e níveis de humidade anormalmente baixos, mesmo para o Verão australiano, os bombeiros celebram as mudanças meteorológicas.

O comissário do Serviço de Fogos Rurais de Nova Gales do Sul, Shane Fitzsimmons, afirmou que a chuva “está, sem dúvida, a quebrar a força das chamas desta época de incêndios”.

Só nesse estado, mais de 20 fogos foram, entretanto, extintos, o que diminui para metade o número de fogos comparado com o pico da crise.

Os cerca de 40 fogos que continuavam activos já estão no nível mais baixo de perigo desde que deflagraram e o comissário diz estar optimista de que a chuva ajudará a dominar os 17 fogos que ainda não estão contidos.

 No estado vizinho de Victoria o cenário é semelhante, com duas dezenas de fogos ainda activos também no nível mais baixo de perigo.

Segundo a Reuters, prevê-se que as chuvas, que continuarão nos próximos dias, sejam das maiores dos últimos 20 anos. Só em Sydney espera-se até 130mm de chuva entre a manhã desta sexta-feira e a manhã de sábado, a maior quantidade de precipitação num período de 24 horas desde 5 de Fevereiro de 2002.

“Fomos de um extremo ao outro”, diz Abrar Shabren, meteorologista no Instituto de Meteorologia do governo australiano.

Risco de contaminação de águas

De acordo com o The Guardian, além do risco de deslizamentos de terra e inundações, as chuvas súbitas e torrenciais trazem também perigo de contaminação de água.

Este risco deve-se às cinzas na atmosfera, provenientes das áreas que ainda ardem, mas também ao risco de desprendimento de partículas de duas cortinas de iodo colocadas em Janeiro no rio de Warragamba.

“É possível que alguma cinza e sedimentos sejam transportados para o armazenamento da barragem, mas nós temos capacidade para gerir os riscos”, diz o presidente da entidade pública responsável pela gestão da água, a WaterNSW, David Harris.

 Como medida preventiva, as autoridades colocaram estruturas de filtragem em alguns locais para evitar que água de zonas de incêndios contamine as bacias que servem a região.

As inundações já levaram ao condicionamento de acessos em vários pontos de Nova Gales do Sul, inclusive em Sydney e, de acordo com as previsões, a chuva deverá continuar durante o fim-de-semana, estendendo-se a outras zonas ainda com fogos activos, nomeadamente à região da capital Camberra.

Texto editado por Pedro Rios