Benetton corta laços com Toscani depois de este comentar queda de ponte em Génova

“Quem se importa se uma ponte cair?”, disse o famoso fotógrafo sobre um desastre que vitimou 43 pessoas, em 2018.

A 14 de Agosto de 2019, um ano depois da tragédia, manifestantes pedem que a ponte não continue concessionada à Benetton
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A 14 de Agosto de 2019, um ano depois da tragédia, manifestantes pedem que a ponte não continue concessionada à Benetton Reuters
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Secção da ponte que caiu em Génova e provocou a morte de 43 pessoas Reuters

A Benetton declarou, na quinta-feira, que cortou laços com Oliviero Toscani, o fotógrafo por trás das principais campanhas publicitárias que ajudaram a italiana a tornar-se uma marca global nos anos 1980, devido às observações que fez sobre a queda de uma ponte em Génova, 2018, onde morreram 43 pessoas.

O colapso da ponte de Morandi, da responsabilidade da Atlantia, um grupo de infraestruturas controlado pela família Benetton, foi muito criticada e levou a que alguns deputados do Parlamento italiano tenham pedido para revogar a concessão de estradas ao grupo. Ora, na passada terça-feira, numa entrevista à rádio estatal Rai, foi pedido a Toscani a sua opinião sobre o movimento italiano Le Sardine, que se opõe ao populismo do líder italiano de extrema-direita Matteo Salvini,  de que fazem parte alguns elementos da família Benetton.

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Oliviero Toscani e Luciano Benetton, em Janeiro de 2018, na Fabrica, em Treviso FACEBOOK, @FABRICARESEARCHCENTRE

O movimento teve um encontro que foi muito criticado por políticos e pelos meios de comunicação devido ao envolvimento da Benetton na tragédia da ponte. Toscani respondeu que não via qualquer problema com a reunião e disse ainda: “Quem se importa se uma ponte cair?”

Mais tarde, Toscani publicou um tweet onde se confessava arrependido pelas suas palavras “extrapoladas e confusas”, acrescentando que estava solidário com a tragédia, como todos os italianos.

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— oliviero toscani (@OToscani) February 5, 2020 ">

Também o grupo Benetton e o fundador e presidente Luciano Benetton se sentiram na necessidade de reagir e, em comunicado, distanciaram dos comentários de Toscani. “A Benetton e toda a empresa renovam sua sincera simpatia pelas famílias das vítimas e por todos os envolvidos nessa terrível tragédia.”

Resolução política

Os comentários do reconhecido fotógrafo provocaram novas críticas dos principais membros do Movimento 5 Estrelas, o grupo que mais tem reagido contra os Benetton e a Atlantia. Vito Crimi, líder do 5 Estrelas, pediu ao Governo para revogar o contrato com a Atlantia, Autostrade per l'Italia, que representa cerca de um terço dos ganhos da empresa.

Toscani também foi criticado por Edoardo Rixi, da extrema-direita e natural de Génova, que assinalou uma possível mudança na posição do seu partido que, até agora, adoptou uma postura menos agressiva em relação à Atlantia. “Vamos ver o que o Governo tem a dizer [sobre a licença] e depois decidiremos”, declarou.

Um decreto aprovado no final do ano passado tornou mais fácil e menos dispendioso ao Governo cancelar a concessão. As medidas devem ser ratificadas até o final de Fevereiro e os analistas estão atentos a qualquer sinal de suavização da versão final que será aprovada no Parlamento.

No entanto, duas fontes governamentais do Partido Democrata (PD), de centro-esquerda no poder, disseram à Reuters, na quarta-feira, que Roma não tinha intenção de voltar atrás na legislação, apesar de alguns membros da coligação permanecerem contra as novas regras.

O pequeno partido centrista Italia Viva, liderado pelo ex-primeiro-ministro Matteo Renzi e cujo apoio é fundamental para manter a maioria parlamentar do Governo, diz que o decreto assustaria os investidores estrangeiros.

Fontes do PD dizem que o Governo deve usar as novas regras como alavanca para forçar a Atlantia a aceitar mudanças difíceis na licença e um corte nas tarifas das portagens nas auto-estradas, em vez de decidir revogar totalmente as concessões.