DGS vai distribuir folhetos informativos nos voos que chegam da China

Medida foi tomada em conjunto com a Autoridade Nacional de Aviação Civil e o objectivo é informar passageiros sobre como actuar se cumprirem critérios de caso suspeito de coronavírus. Direcção-Geral da Saúde reuniu-se também com outras entidades da saúde para preparar segunda linha de acção caso haja uma escalada de casos.

,Portugal
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LUSA/MANUEL DE ALMEIDA

A Direcção-Geral da Saúde reuniu-se com a Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) e vai passar a distribuir folhetos a bordo dos voos directos da China para Portugal, com informação sobre o que devem e para onde podem ligar as pessoas que pensem ter sintomas relacionados com o novo coronavírus. Quanto aos 20 cidadãos que estão em isolamento profiláctico no Hospital Pulido Valente e Parque da Saúde, em Lisboa, a directora-geral da Saúde avançou que estão bem e sem apresentar qualquer sintoma de doença. 

“Como temos voos directos da China e a nossa estratégia é informar e dar acesso ao número do SNS 24, em vez destes passageiros terem acesso aos folhetos informativos só no aeroporto, acordamos serem dados a bordo, onde a disponibilidade para ler é maior”, disse a directora-geral da Saúde, na conferência de imprensa que se realizou esta quarta-feira para fazer o ponto da situação sobre as medidas e a situação dos cidadãos repatriados de Wuhan, cidade chinesa epicentro da epidemia com o novo coronavírus.

A reunião com a ANAC realizou-se esta quarta-feira e esta “foi a única medida” que decidiram para já tomar. O que ficou acordado cm a ANAC é que esta vai contactar com as companhias aéreas com voos directos vindos da China para fazerem a distribuição a bordo dos folhetos que estão escritos em inglês, português e chinês. Graça Freitas explicou que a medida será alargada a outros voos caso as áreas afectadas passem a ser diferentes. O encontro serviu também para analisar as normas nacionais e internacionais e as orientações que já existem com os procedimentos que devem ser adoptados em situação de caso suspeito a bordo do avião.

A directora-geral da Saúde voltou a frisar que não existem recomendações internacionais para que sejam feitos rastreios nos voos à chegada e que a medida não é eficaz. Mas caso existam alterações nas recomendações, estarão preparados para as cumprir. 

Esta quarta-feira houve também mais reuniões com outros organismos da saúde. A DGS esteve com o INEM, com as Administrações Regionais de Saúde (ARS) e as autoridades de saúde. E o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (Insa) com os representantes dos 20 laboratórios - incluindo ilhas - que fazem parte da rede nacional. “Foi uma reunião para acertar e actualizar procedimentos e analisar os hospitais e laboratórios que podem ser associados para dar apoio caso as condições epidemiológicas justifiquem”, explicou o presidente do Insa, Fernando de Almeida. 

“Estamo-nos a preparar para a eventualidade de haver uma escalada. O Insa reuniu com a parte dos laboratórios e eu estive com as ARS e as autoridades de saúde e alguns hospitais para preparar a segunda vaga de serviços, se for caso disso. Estivemos também reunidos com o INEM para fazer o mesmo”, acrescentou Graça Freitas. A responsável explicou que todos os hospitais, incluindo os privados, têm planos de contingência que estão a ser revisitados.

Graça Freitas explicou que existem dois níveis de critérios para validar um caso como suspeito e o protocolo montado para esta fase de contenção. “Há a história clínica que é feita pelo médico que já observou o doente e encontrou sinais e sintomas de doença. Se acha que tem tosse, febre, dificuldade respiratória e se [o doente] veio de uma zona de risco ou esteve com alguém doente, o médico liga para a linha de apoio médico [da DGS] e os dois analisam novamente a história clínica e onde e com quem esteve a pessoa nos últimos 14 dias. Se as duas coisas baterem certas há uma primeira validação do caso”, explicou.

O processo continua com o médico validador a ligar para um segundo médico validador, este pertencente a um dos hospitais de referência para receber casos suspeitos: Curry Cabral, Dona Estefânia ou São João. “Voltam a comparar os sinais e sintomas e o percurso do doente. Se chegarem à conclusão de que há uma suspeição que é importante para o doente ser conduzido até ao hospital de referência, assim irá. O processo implica um circuito de pelo menos três médicos. O caso é validado para investigação. O médico que o validou activa os vários parceiros: o hospital, o Insa para a realização da análise, o INEM para o transporte e as autoridades de saúde que têm de ir à procura de contactos próximos se caso for positivo.” 

Vinte repatriados estão “bem de saúde"

Na conferência foi também feita a actualização do estado de saúde dos 20 cidadãos repatriados da cidade chinesa de Wuhan, grupo constituído por 18 portugueses e duas brasileiras. “Estão bem do ponto de vista saúde, nenhum desenvolveu sintomas.” Graça Freitas salientou que as condições do espaço onde estão em isolamento voluntário e profiláctico melhoraram bastante e que foi "criado um circuito dentro da zona de quarentena para que, com máscara, possam sair do edifício”. Graça Freitas disse que todos têm cumprido as orientações dadas pelos profissionais de saúde e usado máscaras.

Este grupo tem à disposição uma equipa de psicólogos, caso queiram e se demonstrarem vontade será equacionada a possibilidade de receberem a visita de familiares, com as devidas precauções. Quanto à repetição das análises, tendo em conta que nenhum das pessoas apresenta sintomas, a directora-geral da saúde disse não ser urgente. “Estamos a tomar a decisão criteriosamente. Não há vantagens em repetir análises consecutivamente. Estamos a ver a data ideal para repetir os testes.”

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