Contra o IVA reduzido

Quem é o Estado para dizer o que os pobres devem consumir preferencialmente? E por que raio há-de o Estado beneficiar umas famílias em detrimento de outras?

Apenas no âmbito da luta política se percebe a obsessão com a descida do IVA da electricidade. Devia-se discutir não a descida do IVA na electricidade, mas sim a subida do IVA de todos os bens e serviços que pagam taxas reduzidas ou intermédias. Isso devia ser feito de forma radical. Não falo apenas de restaurantes e hotéis (em tempos, falaria igualmente de ginásios), mas também do que se costuma designar como bens essenciais, como pão e leite, e dos bens de mérito, como livros, museus e cultura. Os motivos para o meu radicalismo a favor de uma taxa única são simples. Por um lado, não há nenhum objectivo político para as taxas diferenciadas de IVA que não possa ser atingido de forma mais eficaz e simples com outros instrumentos. Por outro, taxas de IVA diferenciadas provocam distorções no mercado que não trazem nada de bom.