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Papa Francisco afasta de funções no Vaticano o secretário de Bento XVI

O caso do livro que defendia o celibato dos padres que apresentava Joseph Ratzinger como co-autor, e que Georg Gaenswein teve de exigir que fosse retirado, estará na origem da “redistribuição de compromissos e deveres” do arcebispo que é o homem mais próximo de Bento XVI.

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O arcebispo Georg Gaenswein com Bento XVI Max Rossi/REUTERS
Georg Gänswein
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E como o Papa Fracisco, como prefeito da Casa Pontifícia Alessandro Bianchi/REUTERS

O Papa Francisco afastou do exercício das suas funções na Prefeitura da Casa Pontifícia, o gabinete responsável pelas audiências públicas do Papa, o arcebispo Georg Gaenswein, que é também o secretário de Bento XVI. O objectivo é dedicar mais tempo ao Papa emérito.

A notícia surge depois do caso do livro do cardeal conservador Robert Sarah, publicado em meados de Janeiro, que defendia a manutenção do celibato dos padres, e que apresentava Bento XVI como co-autor. Numa altura em que se aguarda a divulgação da decisão do Papa Francisco sobre a possibilidade de ordenação de padres casados na Amazónia, este livro parecia indicar que Joseph Ratzinger pretendia contrariar Francisco e interferir activamente nas decisões do Vaticano.

Foi Georg Gaenswein que veio a público exigir que o nome de Bento XVI fosse retirado do livro Das profundezas dos nossos corações (numa tradução livre do francês original). Gaenswein, alemão como Ratzinger, disse num comunicado emitido na altura pelo Vaticano que tudo não passou de um “mal-entendido, sem questionar a boa-fé do cardeal Robert Sarah”.

O arcebispo Gaenswein é, desde 2003, a pessoa mais próxima de Bento XVI. Conhecido no Vaticano como “Gorgeous George” ou “Bel Giorgio”, é ele quem controla o acesso ao Papa emérito, de 92 anos, cuja saúde é cada vez mais frágil, diz o semanário católico britânico The Tablet.

A notícia do seu afastamento da Prefeitura Casa Pontifícia foi avançada pelo jornal alemão Tagespost e repetida pelos jornais italianos, embora com pouca clareza. O gabinete de imprensa do Vaticano disse não ter informações sobre se Gaenswein estaria de licença, mas confirmou que houve “uma redistribuição dos vários compromissos e deveres” do arcebispo, noticia o norte-americano National Catholic Reporter.

O jornal alemão Tagespost dizia que o secretário particular do Papa emérito permaneceria à frente da Prefeitura da Casa Pontifícia, mas tinha sido libertado dos seus deveres, para poder dedicar mais tempo a Bento XVI. Na origem desta decisão estariam “diferenças de opinião entre Gaenswein e o cardeal conservador Robert Sarah”, o autor do polémico livro.

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