Coronavírus: repatriados que chegaram a Portugal vindos de Wuhan com análises negativas

Os 20 cidadãos que foram retirados da cidade de Wuhan, epicentro do surto do novo coronavírus, estão em isolamento no Hospital Pulido Valente e do Parque Saúde, em Lisboa.

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Reuters/POOL

Deram negativos os resultados das análises feitas aos 20 cidadãos que chegaram este domingo a Lisboa, repatriados da China por causa do surto com o novo coronavírus (2019-nCoV), que já infectou mais de 17 mil pessoas e matou 362. A maioria dos casos diagnosticados e a quase totalidade de mortes (à excepção de uma) ocorreram na China, sobretudo na província de Hubei, onde está a cidade de Wuhan. Foi nesta cidade que o surto começou.

A Direcção-Geral da Saúde (DGS) confirmou, através de comunicado, “que os testes laboratoriais realizados pelo Insa [Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge] foram todos negativos”. Já antes, o PÚBLICO tinha apurado esta informação.

O material usado para análise (zaragatoas) foi recolhido no domingo, depois de uma equipa do Insa — laboratório de referência nacional para a realização destas análises — se ter deslocado ao Hospital Pulido Valente e ao Parque Saúde, onde os 20 repatriados foram instalados e “onde irão permanecer em isolamento profiláctico durante 14 dias”. Durante este período não poderão receber visitas.

O Hospital Pulido Valente é uma das unidades que o Ministério da Saúde já tinha preparado para receber os portugueses deslocados da cidade chinesa de Wuhan que pedissem para ficar em quarentena, medida que não é obrigatória em Portugal. O internamento compulsivo está apenas previsto para situações de doença mental ou casos extremos de risco de saúde pública, mas é necessário que seja o tribunal a decretar essa decisão.

Na sexta-feira, a directora-geral da Saúde, Graça Freitas, tinha adiantado que além do Hospital Pulido Valente (13 quartos individuais), também o Hospital Militar do Porto está preparado para receber alguns destes cidadãos. Disponibilidade que se mantém, embora as autoridades de saúde tenham optado por arranjar dez quartos individuais no Parque Saúde, por questões logísticas. O laboratório que está a fazer as análises fica em Lisboa.

Na conferência de imprensa realizada este domingo, a ministra da Saúde, Marta Temido, explicou que os 20 cidadãos aceitaram a proposta das autoridades de saúde nacionais de ficarem instalados nas duas unidades hospitalares em isolamento profiláctico. Graça Freitas já tinha frisado na sexta-feira que ficam instaladas em enfermarias, embora não estejam doentes. Caso esse cenário se venha a alterar, será activado o protocolo que, perante uma análise positiva, deslocará o doente para o Hospital Curry Cabral (Lisboa), que é uma das unidades de referência para essa situação.

Estes cidadãos — em que se incluem duas pessoas de nacionalidade brasileira e dois diplomatas portugueses que estava em Pequim e que se deslocaram para Wuhan para acompanhar o processo de repatriamento dos portugueses — chegaram domingo à noite ao Aeroporto de Figo Maduro, “tendo sido avaliados pelos médicos da Equipa da Sanidade Internacional, coordenada pela DGS”.

“Os cidadãos vão continuar a ser acompanhados por dois médicos de Sanidade Internacional, que vão garantir a vigilância activa duas vezes por dia e estarão sempre disponíveis para contacto”, diz a DGS no comunicado. A informação já adianta no domingo à noite, numa conferência de imprensa liderada pela ministra da Saúde Marta Temido. Durante a tarde desta segunda-feira realiza-se uma nova conferência de imprensa no Ministério da Saúde, onde será feito um novo ponto da situação.

Até ao momento, Portugal teve dois casos suspeitos de infecção pelo coronavírus 2019-nCoV, mas ambos tiveram análises negativas. O primeiro registou-se em Lisboa e foi seguido no Hospital Curry Cabral e o segundo em Felgueiras, seguido no Hospital de São João, no Porto.