Melhor actor nos BAFTA, Joaquin Phoenix aponta o dedo ao “racismo sistémico”

No discurso de agradecimento, Phoenix fez-se notar pela mensagem acutilante: “Estamos a enviar uma mensagem muito clara às pessoas não brancas de que não são bem-vindas aqui”.

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Phoenix conquistou o seu primeiro BAFTA naquela que era a sua quarta nomeação HENRY NICHOLLS/Reuters
,Festival de Cinema de Veneza
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No papel do Joker, 2019
,Maria Madalena
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Em Maria Madalena, de 2018, Phoenix foi Jesus de Nazaré
,Você nunca esteve realmente aqui
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Nunca Estiveste Aqui, 2017
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Uma História de Amor, 2013
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Nós Controlamos a Noite, 2007
,Joaquin Phoenix
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Reservation Road - Traídos Pelo Destino, 2007
,Ande na linha
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Em Walk the Line (2005), no papel de Johnny Cash
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Hotel Rwanda, 2004
,Gladiador
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Gladiador (2000) valeu-lhe a sua primeira nomeação para um Óscar (de melhor secundário)

O actor norte-americano Joaquin Phoenix voltou a destacar-se pelo seu papel em Joker, de Todd Phillips​, recebendo o BAFTA de melhor actor, na cerimónia que decorreu, na noite de domingo, no londrino Royal Albert Hall.

Mas Phoenix também se voltou a fazer notar pelo seu discurso acutilante: “Acho que estamos a enviar uma mensagem muito clara às pessoas não brancas de que não são bem-vindas aqui”, considerou, citado pela BBC, fazendo alusão ao tema que dominou a imprensa após a revelação dos nomeados. Ou seja, a ausência de actores não caucasianos entre os candidatos. Outra ausência que acabou por determinar uma revisão na escolha dos candidatos, a ter efeito já para o próximo ano, foi a da nomeação de mulheres fora de categorias exclusivamente femininas: pelo sétimo ano consecutivo, por exemplo, nenhuma mulher foi candidata ao galardão de melhor realização.

Lulu Wang foi a excepção, mas a realizadora viu o seu nome apenas entre os candidatos a melhor filme de língua estrangeira, por A Despedida. E a sua reacção não se fez esperar. No Twitter, Wang agradeceu a Phoenix

Phoenix subiu ao palco para se mostrar “muito honrado e privilegiado por ali estar”, mas não deixou de desabafar que se sentia “em conflito” – “porque tantos colegas meus actores mereciam e não estão a ter os mesmos privilégios”.

O actor considerou ainda não acreditar que alguém pretenda ter um “tratamento especial”, sublinhando que “as pessoas só querem ser reconhecidas, apreciadas e respeitadas pelo seu trabalho”.

Mas, mais que o dedo à indústria, Phoenix aponta-o a si próprio: “Esta não é uma condenação hipócrita, porque tenho vergonha de dizer que faço parte do problema. Não fiz tudo ao meu alcance para garantir que os filmes em que participei fossem inclusivos.” Mas, para lá da culpa, o actor também forneceu a solução: “Temos que trabalhar arduamente para entender de facto o racismo sistémico”.

Um pouco por toda a indústria, multiplicaram-se as reacções. A premiada realizadora israelo-americana Alma Har'el (Honey Boy ou o documentário LoveTrue) foi mais longe: “Corrijam-me se estiver errada, mas esta é a primeira vez… em muito tempo… [que] eu vejo um homem branco a usar o palco que lhe foi dado para dizer aquilo que todos nós precisamos de ouvir”. Na mesma rede social, a actriz Viola Davis, nomeada há um ano para melhor actriz pelo seu papel em Viúvas,​ fez questão de sublinhar “a honestidade, solidariedade e coragem” do protagonista de Joker.

Também o comediante britânico de stand-up Tez Ilyas escreveu: “Obrigado Joaquin por articulares o que tanta gente sente mas não é capaz de expressar”.

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