Joacine Katar Moreira: “Vamos continuar a trabalhar com a confiança de uns e sem a confiança de outros”

No final de uma manifestação anti-racista em Lisboa, a deputada eleita pelo Livre confirmou que é sua intenção ficar na Assembleia da República.

Joacine na manifestação anti-racismo
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Joacine na manifestação anti-racismo LUSA/MANUEL DE ALMEIDA

A deputada a quem o partido Livre retirou a confiança política na madrugada de sexta-feira, Joacine Katar Moreira, disse no sábado à noite que vai manter-se na Assembleia da República enquanto não deixar de gaguejar lá. Esta foi a primeira vez que a deputada falou depois de o Livre ter confirmado que lhe retirava a confiança política. 

“Eu não vou permitir que ninguém me diga que eu estou onde não devia estar. Eu nasci para estar ali. E vou continuar ali. Eu não me imagino em mais sítio nenhum hoje. Lamento muito​”, declarou, recebendo o apoio dos manifestantes. Aquando da decisão de avançar com a retirada da confiança política à deputada, a direcção do Livre salientou que não lhe pediu nem irá pedir para abdicar do seu mandato “que democraticamente e constitucionalmente” é seu. 

"Eu adoro estar aqui porque a minha gaguez desaparece. Enquanto a minha gaguez não desaparecer da Assembleia da República, não saio de lá também”, disse a deputada eleita nas listas do Livre, para as quais foi escolhida através do método de primárias, no final de uma manifestação anti-racista que ocorreu em Lisboa​.

“É normal os fascistas mandarem-me para a minha terra?”, começou por perguntar Katar Moreira aos manifestantes. “É normal este ódio, esta desinformação, este racismo institucional?”, continuou, perante as respostas: “Não!”, gritava-se na rua. “Não há anti-fascismo sem anti-racismo. E isto é de de todos e de todas. É da esquerda deste país também e não só da direita, porque se a esquerda reclama ser anti-fascista, ela tem de reclamar ser anti-racista”, disse a deputada. “Temos de garantir que nenhum racista se sente demasiado à vontade. Foi para isso que se fez o 25 de Abril, foi ou não foi? Para que os fascistas ficassem inquietos, desconfortáveis e calados”, acrescentou.

Sobre o Parlamento, Joacine assumiu ainda que o que lhe interessa é os que votaram nela. E desfez o tabu: “Vamos continuar a trabalhar com a confiança de uns e sem a confiança de outros. Estou lá para honrar o compromisso pelo qual fui eleita”. “A mim interessa-me quem confia em mim, a mim interessa-me quem votou em mim, a mim interessa-me quem torce por mim”, concluiu.