Mundo fecha as portas a viajantes da China com receio do coronavírus

Apesar de ir contra as recomendações da Organização Mundial de Saúde, vários países e companhias de aviação estão a proibir a entrada de cidadãos chineses numa tentativa de evitar infecções.

Hospedeiras no aeroporto de Brisbane; a Austrália proibiu a entrada de cidadãos estrangeiros que venham da China
Foto
Hospedeiras no aeroporto de Brisbane; a Austrália proibiu a entrada de cidadãos estrangeiros que venham da China GLENN HUNT/EPA

Embora não exista nenhuma recomendação das autoridades de saúde para restringir as viagens para a China ou impedir a entrada de cidadãos e viajantes provenientes daquele país, é exactamente isso que tem vindo a acontecer, desde que a Organização Mundial de Saúde declarou o novo coronavírus uma ameaça global de saúde pública.

Embora os dados chineses indiquem que o novo coronavírus parece ser menos letal que o surto viral de 2002-2003, que na altura matou cerca de 800 pessoas em todo o mundo, a própria China impôs restrições às viagens dentro do país. Mas vários países, entre os quais a Austrália, os Estados Unidos e Singapura proibiram simplesmente a entrada no seu território a cidadãos estrangeiros que tenham estado recentemente na China. E recomendam também que nenhum cidadão desses países visite a China durante o período de alerta.

Com casos confirmados em pelo menos 25 países, a Organização Mundial de Saúde (OMS) aconselha a aplicar medidas para “limitar o risco de exportação ou importação da doença”, mas frisa que isso deve ser feito “sem restrições desnecessárias ao tráfego internacional”. Mais, aconselha os países a “evitar acções que promovam o estigma e a discriminação”. 

Pequim criticou estas decisões. O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) considerou que o facto de Washington ter elevado o risco de viagens para a China para o nível mais elevado “não foi um gesto de boa vontade”. “Enquanto a OMS recomenda que não se imponham restrições às viagens, os EUA apressaram-se a ir na direcção contrária”, afirmou numa declaração online Hua Chunying, porta-voz do MNE chinês, citada pelo Guardian.

Mas o pânico gerado pelo receio de uma nova doença levou já vários países a adiantarem-se. O Vietname baniu todos os voos para e provenientes da China – o que atrasou o voo que vai trazer os portugueses que estão na cidade de Wuhan, a cidade chinesa onde surgiu o novo vírus, e que fez escala este sábado em Hanói. Mas o avião já tem autorização para levantar voo esta noite, diz a Lusa.

Muitas companhias aéreas e aeroportos interromperam as ligações com a China e negaram a entrada a cidadãos chineses. A Qatar Airways, a Air France, a Air Seoul, a American Airlines, a British Airways, a Qantas, a Air NZ, a Cathay Pacific Airways, a Delta Airlines ou a Egyptair anunciaram que suspendiam todos os voos, ou apenas alguns, durante um período longo.

Cerca de 10 mil voos foram suspensos desde o início do surto, de acordo com a empresa de análise de dados de viagem e aviação Cirium, citada pela Reuters – o que mostra como este surto pode afectar a actividade económica na China e noutros países.

Enquanto isto se passa, a OMS começou a fazer online um esforço para destruir mitos sobre o novo coronavírus, que se espalham já como fogo em capim nas redes sociais. Os antibióticos não tratam esta nova infecção (destinam-se a infecções causadas por bactérias, e não por vírus, como o novo tipo de coronavírus que está a causar este surto), por exemplo, e não há quaisquer provas de que os animais de estimação transmitam a doença – mas é sempre boa ideia lavar bem as mãos depois de qualquer interacção com o gato ou cão lá de casa.