Voo de portugueses retidos em Wuhan foi adiado para sábado

Os portugueses que se encontram retidos em Wuhan foram notificados que o voo de regresso foi adiado para sábado. O Governo garante que o “voo será realizado logo que respeitados os devidos procedimentos técnicos e regulamentares”.

Wuhan
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YUAN ZHENG/LUSA

Os 17 cidadãos portugueses que se encontram retidos em Wuhan, cidade chinesa onde surgiu o surto do novo coronavírus, foram notificados esta sexta-feira de que o voo de regresso foi adiado para sábado, afirmaram os portugueses à agência Lusa. O Governo garante que o “voo será realizado logo que respeitados os devidos procedimentos técnicos e regulamentares”, uma vez que o processo que causou o atraso já está concluído.

Na manhã desta sexta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, revelou que o grupo de europeus, incluindo os portugueses, estava retido na cidade de Wuhan, no centro da China, e que só poderia abandonar a cidade com autorização das autoridades chinesas.

O avião partiu na quinta-feira de Portugal rumo a Paris, de onde deveria voar esta sexta-feira para Wuhan para resgatar os cidadãos europeus. No entanto, o voo ainda não saiu de Paris. Os cidadãos portugueses deveriam ter-se apresentado no consulado francês em Wuhan esta sexta-feira, mas foi-lhes dada ordem para ficarem em casa.

“Esta é uma operação complexa no quadro da concertação europeia e depois há outra coordenação ainda mais complexa, com as autoridades chinesas. Estando a cidade [de Wuhan] de quarentena, estes cidadãos só podem sair com autorização das autoridades de saúde pública e administrativas da China. Essa autorização ainda está em curso e só com essa autorização é que nós podemos dar a operação como bem-sucedida e respirar de alívio”, disse Augusto Santos Silva à Antena 1.

Entretanto, o ministério dos Negócios Estrangeiros enviou um comunicado às redacções a esclarecer que não houve qualquer recusa de autorização por parte das autoridades chinesas e que o voo tenha sido cancelado”. Confirma que o processo já está concluído de modo que o voo será realizado logo que respeitados os devidos procedimentos técnicos e regulamentares.

PÚBLICO - Uma ambulância transporta um cidadão japonês evacuado de Wuhan para um hospital em Tóquio
Uma ambulância transporta um cidadão japonês evacuado de Wuhan para um hospital em Tóquio Kyodo/REUTERS
PÚBLICO - Membros da Cruz Vermelha francesa aguardam a chegada de cidadãos franceses repatriados de Wuhan na base aérea de Istres-Le Tube
Membros da Cruz Vermelha francesa aguardam a chegada de cidadãos franceses repatriados de Wuhan na base aérea de Istres-Le Tube ARNOLD JEROCKI/EPA
PÚBLICO - Terceira vaga de japoneses evacuados de Wuhan na chegada ao Aeroporto Internacional de Tóquio
Terceira vaga de japoneses evacuados de Wuhan na chegada ao Aeroporto Internacional de Tóquio JIJI PRESS/EPA
PÚBLICO - Avião com 367 sul-coreanos evacuados da China chega ao aeroporto de Gimpo, na Coreia do Sul
Avião com 367 sul-coreanos evacuados da China chega ao aeroporto de Gimpo, na Coreia do Sul YONHAP/EPA
PÚBLICO - Sul-coreanos repatriados de Wuhan à chegada ao aeroporto de Gimpo, na Coreia do Sul
Sul-coreanos repatriados de Wuhan à chegada ao aeroporto de Gimpo, na Coreia do Sul YONHAP/EPA
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Países retiram cidadãos 

Segundo a edição online do El País um avião com 19 espanhóis que se encontravam em Wuhan descolou às 9h30 (hora em Wuhan) desta sexta-feira. O avião, onde estão também cidadãos britânicos, noruegueses e dinamarqueses, foi fretado pelo Reino Unido. Tem prevista uma paragem em Londres, onde deixará os cidadãos britânicos, e seguirá para Madrid, onde deverão desembarcar quer os espanhóis quer os cidadãos da Dinamarca e da Noruega. Uma vez na capital espanhola, os passageiros ficarão de quarentena durante 14 dias no Hospital Central de la Defensa Gómez Ulla, afirma o diário espanhol.

Todos estes passageiros que embarcaram esta manhã passaram por mais do que uma vez por um controlo de temperatura ainda em território chinês e nenhum apresentava febre, de acordo com o relato feito no El País.

Nos últimos dias, vários cidadãos têm sido retirados de Wuhan. Esta quinta-feira, um japonês repatriado chegou a Tóquio, onde foi hospitalizado. Está ainda previsto que, durante a tarde desta sexta-feira, cidadãos franceses retirados daquela cidade chinesa aterrem na base aérea de Istres-Le Tube, a noroeste de Marselha, onde são esperados por membros da Cruz Vermelha Francesa. Os cidadãos ficarão depois em quarentena durante 14 dias. Esta sexta-feira, um avião com 367 sul-coreanos evacuados de Wuhan aterrou também no aeroporto de Gimpo, na Coreia do Sul.

O que acontecerá aos portugueses de Wuhan?

Os portugueses que vão ser repatriados de Wuhan terão, à chegada, à sua disposição instalações para ficarem isolados “com conforto e tranquilidade”, se assim o entenderem, adianta a directora-geral da Saúde, Graça Freitas, em entrevista ao PÚBLICO publicada esta sexta-feira.

“Isso está a ser equacionado porque houve portugueses que terão manifestado o receio, ao voltar a casa e se eventualmente viessem contagiados, de transmitirem [o vírus] à família. Se chegarem com esse receio, terão instalações para os acolher com conforto e tranquilidade”, justifica.

Quase dez mil infectados e 213 mortos. Dois casos identificados no Reino Unido

A China informou nesta sexta-feira que o número de mortos por causa do novo coronavírus subiu para 213 e o de pessoas infectadas para 9692. O anterior balanço apontava para 7736 pessoas infectadas e 170 mortos.

Os números anunciados dizem respeito às últimas 24 horas e representam mais 43 mortos e quase mais dois mil casos de infecção em relação aos últimos dados avançados pelas autoridades chinesas. A grande maioria dos casos continua a ocorrer na província de Hubei e na sua capital, Wuhan, o epicentro do surto.

Segundo o relatório diário da Comissão Nacional de Saúde chinesa, actualizado às 4h (20h de quinta-feira em Portugal continental), o número de pacientes em estado grave é de 1527, enquanto 171 pessoas já receberam alta.

O surto deflagrou em Dezembro em Wuhan, metrópole no centro da China, e na quinta-feira a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública internacional, num momento em que a epidemia afecta mais de uma dúzia de países.

Cinquenta casos fora da China

Além da China e dos territórios chineses de Macau e Hong Kong, há mais de 50 casos confirmados do novo coronavírus em 20 outros países — na Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Singapura, Vietname, Nepal, Malásia, Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha, Itália, Austrália, Finlândia, Emirados Árabes Unidos, Camboja, Filipinas, Índia e o Reino Unido onde, segundo a Reuters, foram detectados na manhã desta sexta-feira os dois primeiros casos no país.

O Governo italiano já declarou esta sexta-feira estado de emergência depois de terem sido identificados os dois primeiros casos de coronavírus em dois turistas chineses que visitaram Roma. Singapura anunciou, por sua vez, que vai proibir, a partir de sábado, a entrada de todos os visitantes que tenham estado na China recentemente e suspender a emissão de vistos para todas as pessoas com passaporte chinês e a Mongólia tinha também já anunciado que iria fechar as suas fronteiras terrestres com a China (assim como a Rússia, a Coreia do Norte e o Vietname) para impedir o alastramento do coronavírus.

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