Um (des)guia para ser um “real macho” — ou para acabar com a masculinidade tóxica

Quem quer ser um "real macho"? Basta seguir estes passos: "esconder os sentimentos e emoções para não parecer fraco"; "afirmar a autoridade para conquistar respeito"; "não fazer tarefas domésticas"; "nunca pedir ajuda"; "ser heterossexual"; "nunca rejeitar sexo"; e "estar sempre em controlo". Simples e eficaz. Ou, talvez, nem tanto: basta ver como acabam as aventuras da banana que é protagonista desta campanha do Equi-X, um projecto desenvolvido por 15 investigadores de Portugal, Alemanha, Bélgica, Croácia e Espanha.

"Tanto os homens como as mulheres, quando nascem, são postos em caixinhas com determinadas características próprias. A ideia desta campanha é que, com ironia, se faça ver que é possível sair dessa caixa", explica Tiago Rolino, investigador do CES e do Equi-X na área das estratégias dirigidas à construção de identidades de género e ao envolvimento de homens e rapazes em modelos não violentos de masculinidade. 

O vídeo mostra que cumprir os trâmites da masculinidade tóxica — "não da masculinidade em si, mas de uma masculinidade hegemónica e tradicional" — pode nem sempre dar bom resultado. E que, apesar de ainda serem valores "presentes na nossa sociedade", podem estar mais perto de ser derrubados. "Estes projectos europeus e nacionais são transformadores de comportamentos e aproximam-nos mais do derrubar desses pilares da masculinidade tradicional", aponta o investigador. O objectivo do Equi-X é transformar normas rígidas de género, prevenir a violência e promover a igualdade de género através da discussão da feminilidade e de modelos de masculinidade. No fundo, acabar com as tais caixinhas. 

Ao mesmo tempo que vão surgindo projectos como este, "surgem também novas ondas que nos fazem recuar alguns passos", lamenta Tiago Rolino. "Forças de direita reaccionária que defendem o valor tradicional do ser homem, do ser mulher, das famílias", alerta. "Mas vamos dando passos firmes para alcançar um mundo mais justo — porque é disto que se trata, de direitos humanos e justiça social." Para lá chegar, ainda é preciso, por vezes, relembrar que "comer fruta é saudável" (e é coisa de homem e mulher). 

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