,Um oficial e um espião
Beata Zawrzel/NurPhoto via Getty Images

O roman de Polanski

Viagem pelo mundo de Roman Polanski, aquele em que o túnel está sempre ao fundo da luz, como alguém descreveu. O motivo para o reencontro com uma obra é a própria obra. Mas há um incentivo fenomenal: O Oficial e o Espião. Um filme histórico sobre o “caso Dreyfus”, torna-se thriller, filme de aventuras e comédia conjugal. A sabedoria do realizador, 86 anos, ocupa-se deste exílio do espectador perante a inversão de expectativas. Um filme empolgante à medida da fórmula que ele arranjou para o roman de si próprio e da sua vida: “I am a man of spectacle”.

John Huston, que foi dirigido por Roman Polanski em Chinatown (1974), onde interpretava Noah Cross, figura que provava a irredutibilidade do mal (o forget it Jake it’s Chinatown diz isso), falou assim sobre o cineasta: os filmes são a sua única paixão segura e sustentada; as pessoas à volta não contam — para além do círculo mais próximo.