Polícia Marítima intercepta barco com 11 migrantes marroquinos em Olhão

Três dos migrantes foram encaminhados para o hospital de Faro, mas já tiveram alta. O caso fica agora entregue ao SEF.

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Embarcação foi vista pela Polícia Marítima a aproximar-se da entrada da barra da Culatra, em Olhão POLÍCIA MARÍTIMA

A Polícia Marítima interceptou perto de Olhão um barco com 11 migrantes, por volta das 4h30 da madrugada desta quarta-feira, confirmou ao PÚBLICO o comandante Pereira da Fonseca. Têm entre 20 e 30 anos e dizem ser marroquinos, oriundos da cidade de El Jadida. Os imigrantes ilegais não têm documentos e serão ouvidos nesta quarta-feira por um intérprete do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). 

As 11 pessoas interceptadas numa embarcação de madeira são do sexo masculino. Três deles foram encaminhados para o hospital de Faro, um deles com “um traumatismo ligeiro no joelho” e os outros dois com dores abdominais provavelmente causadas pelos enjoos de terem estado em alto mar — tiveram alta ainda durante a manhã. Os restantes estão no Comando Local da Polícia Marítima de Olhão.

O barco encontra-se no porto de Olhão, tem cerca de seis metros de comprimento, e um motor de 15 cavalos, disse fonte da Polícia Marítima ao PÚBLICO. Dizem que estiveram cinco dias no mar e alimentaram-se de frutos secos, biscoitos e água — a bordo ainda tinham combustível de reserva e um motor suplente. 

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O caso fica agora entregue ao SEF, que já enviou representantes para o local. À agência Lusa, o SEF diz que os 11 homens “falam muito pouco francês” e que só depois de avaliada toda a situação é que será tomada uma decisão sobre o que lhes acontecerá. 

“É prematuro falar em nova rota de migração”

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, disse nesta quarta-feira que os 11 imigrantes ilegais interceptados na embarcação vão ser interrogados durante a tarde, sendo ainda prematuro falar de uma nova rota de migração para Portugal.

“É de todo prematuro. Tivemos dezenas de milhares de chegadas em Espanha e não poderemos, relativamente a 19, nestes dois casos nestes meses, extrair daí qualquer conclusão. Estamos atentos, estou em diálogo com autoridades espanholas e marroquinas, e conto estabelecer, nas próximas semanas, um encontro directo com o meu homólogo marroquino sobre vários temas, entre os quais este”, afirmou Eduardo Cabrita, em Tavira, quando questionado sobre a possível existência de uma nova rota de migração para a Europa.

“Não há nenhum dado que permita concluir definitivamente nesse sentido”, insistiu o governante, em declarações aos jornalistas.

A 11 de Dezembro, oito migrantes desembarcaram na praia de Monte Gordo, no Algarve. Tinham entre 16 e 20 anos e também diziam ser marroquinos. Quando chegaram, foram “alimentados e tratados porque tinham frio e fome”; segundo os próprios, tinham passado cinco dias no mar e “revelavam sintomas de princípio de hipotermia”. 

Em 2007, um barco com 23 migrantes clandestinos foi interceptado também em Olhão e os ocupantes também diziam ser de Marrocos, da mesma cidada, El Jadida. O destino era Espanha, mas a embarcação perdeu o rumo devido ao mau tempo, acabando por ficar quatro dias à deriva antes de dar à costa. Alguns dos migrantes tiveram de ser assistidos no local devido a problemas de hipotermia e desidratação – estavam sem comer e sem beber há quatro dias. Foram acolhidos por Portugal ao abrigo do quadro de protecção internacional aplicado a outros estrangeiros resgatados no Mediterrâneo que chegaram ao país provenientes de países como Itália e Malta.

Durante 2018 e 2019, Portugal acolheu 129 pessoas resgatadas por navios humanitários. “Não obstante esta disponibilidade solidária sempre manifestada, o Governo português continua a defender uma solução europeia integrada, estável e permanente para responder ao desafio migratório”, explicava em Agosto o Governo, em comunicado.

Em Junho, o PÚBLICO noticiava que Portugal recebeu 1866 refugiados desde 2015 ao abrigo dos programas de recolocação, de reinstalação e de acolhimento voluntário de refugiados. Em 2016, o primeiro-ministro António Costa dizia que Portugal estava disponível para ir além da “quota” e receber mais 5800 refugiados.

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