Entrevista

Cláudia Raia: “Estou a entrar no segundo acto da minha vida. E ainda tenho o grand finale

A actriz brasileira Cláudia Raia, que se tornou uma porta-estandarte para a afirmação das mulheres com mais de 50 anos, está em Portugal até 22 de Março com o musical ConSerto para dois.

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Para a geração que cresceu na década de 1980, Cláudia Raia é Tancinha, da novela da Globo Sassaricando, de 1987, que, no seu português com sotaque italiano e com muitas calinadas na gramática, apregoava “os melão” na feira. Mas a actriz, bailarina e cantora brasileira cresceu, amadureceu e, 30 anos depois, puxou para si a bandeira do idadismo, ou seja, é uma voz contra a discriminação em relação à idade. “A mulher dos 40 aos 80 não existe, não tem direito a nada”, lamenta em entrevista ao PÚBLICO.

Aos 53 anos, a idade não deve limitar o sucesso, o conceito de beleza ou de sensualidade, acredita. Por isso, recentemente, posou nua para a revista Ela, além de assinar uma crónica mensal na edição brasileira da Vogue e uma série de vídeos no Instagram a que chamou “50 e Tantas”, em que lança questões como “Porque não pode ser uma mulher bonita, gostosa, provocadora aos 50?” A actriz chama a atenção também às jovens, propondo-lhes que se preparem para chegar aos 50 com saúde e em forma.

Cláudia Raia, que tem 6,2 milhões de seguidores no Instagram, está em Portugal para apresentar ConSerto para dois, um musical cómico em que partilha a cena (e uma dúzia de personagens) com o terceiro marido, o actor Jarbas Homem de Melo — foi casada com os actores Alexandre Frota e Edson Celulari. O empreendimento envolverá um mês de digressão que irá até ao Porto, Braga, Coimbra, Aveiro e Figueira da Foz, após 20 datas num palco que conhece bem, o do Teatro Tivoli, em Lisboa, que em 2004 recebeu a peça Batalha de Arroz Num Ringue para dois, com Miguel Falabella. 

Trocou o Verão no Brasil pelo Inverno português. Porquê vir para Portugal agora?
Porque queríamos muito. Desde que estive aqui com o Miguel Falabella, nunca consegui voltar com nenhum projecto de teatro, porque as coisas que eu faço são muito grandes. Produzo espectáculos com 120 pessoas, é impossível viajar. A vontade era fazer um em que só nós dois estivéssemos em cena – e que pudesse viajar. Portugal é um país pelo qual tenho muito carinho e sei que as pessoas gostam de me receber. 

Não há muito tempo estava na praia, como se pôde ver numa fotografia provocadora (e muito comentada) que pôs no seu Instagram. Como vê essa exposição: sente maior proximidade do público ou, por outro lado, sente-se mais observada?
Observada, uma figura pública é sempre. Com ou sem Instagram. Se não tem Instagram, tem paparazzi. Eu prefiro o Instagram, onde temos um pouco mais de controlo sobre as imagens que são publicadas. Essas imagens, um pouco mais provocadoras, como disse, têm um fundamento. Não é apenas uma fotografia provocadora. Há algum tempo que levanto a bandeira do ageless [idadismo] no Brasil. Essa mulher de 50 anos, na minha opinião, é a antiga mulher de 30. Isso é falado no mundo inteiro, enaltecido, e no Brasil não. Essa mulher chega aos 40 anos e desaparece, cai num buraco negro, ressurge aos 80, como a avó fofa, querida. A mulher dos 40 aos 80 não existe, não tem direito a nada. Não tem direito a um novo casamento, a engravidar se quiser – e hoje há mulheres de 56, 57 anos que engravidam, com óvulos congelados, porque as pessoas, por vezes, querem ter primeiro a sua carreira e depois uma vida familiar. É muito injusto que uma mulher tenha uma vida interrompida. “Não tem mais óvulos, então não serve para mais nada.” É essa a mentalidade.

É uma mentalidade culturalmente brasileira ou um reflexo do Brasil actual?
Acho que não é só brasileira, é mundial. É óbvio que nos Estados Unidos, Europa já falam há muito tempo dessa “nova” mulher – vemos a Isabella Rossellini voltar a ser a cara da Lancôme. Na verdade, o poder aquisitivo está na mão dessa mulher. Ela tem os filhos crescidos, tem uma carreira, na maior parte das vezes, consolidada, então porque não pode viver a vida? Porque não pode ser uma mulher bonita, gostosa, provocadora aos 50? Claro que pode. Existe beleza em qualquer idade.

Além da imagem que pôs no Instagram, em Novembro fez um ensaio nu para a revista Ela. É um acto de afirmação?
É uma afirmação e um levantar de bandeira: “Olha como essa mulher também é livre.” Porque, quando acabam os óvulos, acaba tudo. Já não pode ter tesão, não pode mais nada, acabou, como se a mulher secasse. Já ouvi homens dizer: “Essa aqui já secou.” E como não existe no Brasil essa mulher que levante a bandeira e lute por isso, acabei por fazer um programa que se chama “50 e Tantas” no Instagram.

Foi a musa de várias épocas e vários estilos. Agora é uma inspiração para as mulheres que passaram dos 50 anos?
Aconteceu naturalmente, fui sentindo na pele, embora não seja a clássica mulher de 50 anos brasileira. Tenho outro lugar, até pela minha profissão. Mas tento encorajar essa mulher que é dona de casa e que tem 50 anos.

Sentiu que fazia falta esse empurrão?
Alguém que represente. Sei pelo feedback, as pessoas dizem-me: “Adorei aquilo que disse, é exactamente aquilo, sinto-me representada.” É muito bom, porque o público jovem que me segue é muito grande, e eu estou a falar não só sobre como chegar bem aos 50, mas do caminho até aos 50. Esse caminho é de prevenção, você vai colher esse caminho aos 50, aos 60, aos 70. Fui, toda a minha vida, bailarina, fiz actividade física, protegi-me do sol, comi bem...

Foi-se preparando para chegar bem a esta idade?
Sim. É por isso que falo do caminho. As jovens também podem segui-lo. Lembro-me de aos 20 anos pensar: “Não vou estar ao sol sem protector para não ficar com a pele manchada.” Chegava a casa às cinco da manhã, aos 19, 20 anos: “Ah, não vou tirar a maquilhagem, vou dormir assim mesmo.” E então pensava: “Não, tenho de tirar a maquilhagem, porque um dia vou ficar mais velha e isso vai fazer-me falta.”

Não foi, então, chegar aos 50 e pensar: “Tenho de reverter o relógio”?
Não, é fazer por prevenção. Mais do que tudo, não é estar magra, com um corpo escultural — nós, actores, temos alguma responsabilidade sobre isso, porque a nossa imagem é o nosso trabalho —, mas o importante é a mulher ser saudável. É fundamentalmente isso – uma mulher com peso a mais provavelmente não está no auge da sua saúde. São acertos em relação à saúde, de se olhar no espelho, seja como for, e se achar bonita. Em qualquer idade, com qualquer corpo – com o corpo que escolheu, não o corpo que alguém lhe diz para ter. É olhar-se ao espelho e dizer: “Eu não sou uma velha acabada, sou uma mulher empoderada, forte, que tem muitas coisas para fazer, que tem muitos planos, muitos sonhos.” Porque, senão, faz o quê? Chega aos 50 e morre, acaba? Não pode ser.

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“A minha maior peninha é não poder comer tudo”

Qual é a sua opinião sobre a cirurgia estética?
Sou a favor de fazer uma coisa ou outra. Acertos. Mas não de entrar [no bloco operatório] com uma cara e sair com outra – isso é uma loucura. Nesse caso, quer ser outra pessoa e o problema não é estético, mas de cabeça. Se, realmente, não gosta de se ver assim, vá tratar-se, [porque] o que fizer na sua cara não vai ser suficiente.

Que sacrifícios se recusa a fazer em nome da beleza?
Abdico de qualquer coisa a favor da saúde. Eu adoro comer, sou neta de dois avós portugueses e de um italiano. Em minha casa, era comida, comida, comida. Tudo acontecia à volta da mesa, durante uma refeição que durava cinco horas. Eu amo comer, mas sou muito disciplinada. Estou aqui, vou provar as coisas portuguesas. Daqui a pouco, tenho de pôr um travão, porque tudo tem um limite. Não dá para ir comendo chouriços, porco e tudo, só de vez em quando. A minha maior peninha é não poder comer tudo, o tempo todo. Tenho uma nutricionista que me diz: “Amor, chegou aos 50, agora come 50% a menos do que comia.” Eu não fico feliz quando tenho peso a mais. Não porque alguém me chame a atenção, mas porque olho-me e não gosto. É o meu critério estético.

Quando vem a Portugal, traz saudade de alguma comida em especial?
Tudo é especial. Tudo é bom. Açorda é uma delícia, os bacalhaus todos, a nata, a broa... É uma loucura. Hoje vou comer cozido à portuguesa. Estou desde ontem a pensar no cozido!

Outra bandeira, portanto: uma mulher elegante com mais de 50 anos não deixa de comer cozido ao almoço.
Eu estou aqui, como é que vou perder essa oportunidade? Não comerei cozido todas as sextas-feiras. Vou comer, vou adorar, vou dar duas semanas de folga, e vou comer outra vez. Ainda bem que tenho o espectáculo, porque perco quase quilo e meio por show. Eu faço sete personagens, ele [Jarbas Homem de Melo] faz cinco. São 25 trocas de roupa para mim, 23 para ele. É um tour de force. Por isso, talvez possa comer um bocadinho mais.

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Apesar de toda essa energia, também sente limitações da idade?
A única coisa que sinto de diferente é quando não durmo. Se tenho um evento até às três ou quatro da manhã e acordo às sete, levanto-me, vou, trabalho, mas esse é o único momento em que sinto que, quando era mais jovem, eu aguentava. De resto, não sinto nada. As dores que tenho no corpo, de 50 anos de dança, sentia quando tinha 15. No outro dia, olhei para uma fotografia minha, com 15 anos, e no meu pé, que os tenho muito magoados, já tinha uma tornozeleira [uma meia ortopédica]. A bailarina é uma dor que anda. Estou agora a fazer cryotherapy, uma máquina de gelo que fica a -210º C, três minutos. Os atletas utilizam-na, o Cristiano Ronaldo tem uma dessas máquinas. Ajuda muito. Um bailarino é um atleta. Nós dançamos de quarta a domingo.

Trabalha quantas horas por dia?
Não sei. Umas 12, 15 horas por dia. É uma loucura. Eu sou produtora de espectáculos, por isso, trabalho muito. Se não estou a trabalhar como actriz ou a fazer divulgação, trabalho como produtora. O tempo todo, ao telefone, a resolver [coisas].

Recusa-se a aceitar que já conquistou tudo o que tinha a conquistar. Mas sente que há, algures, uma linha de chegada?
Não penso na minha linha de chegada, porque ainda está muito distante. Estou a entrar no segundo acto da minha vida. No teatro, o segundo é sempre melhor do que o primeiro. E ainda tenho o grand finale. Ainda tenho muito chão [para percorrer].

Na sua coluna na revista Vogue escreveu que quer levar a arte e a cultura pelo país. Há um espírito de missão?
Sem dúvida. É, fundamentalmente, transformar aquelas pessoas que vêem assistir ao espectáculo. Uma pessoa jamais entra num teatro e sai do mesmo jeito que chegou. Essa é uma missão muito bonita. No outro dia, aqui em Portugal, estava num restaurante, a jantar com os meus filhos [Enzo, 22 anos, e Sophia, 17, filhos do actor Edson Celulari] e com Jarbas, e fui à casa de banho. Uma menina que estava lá dentro abriu a porta, deu de caras comigo, ficou assim [abre a boca de espanto]. “Cláudia Raia! Não tem ideia de como é bom encontrá-la. Muito obrigada por ter feito os meus dias tão felizes.” Não há dinheiro que pague esse tipo de manifestação. Vi a felicidade que ela sentiu, essa pessoa é mensageira da felicidade. Do meu riso, da minha alegria. Isso é incrível.

Já fez de feirante, presidiária, dançarina, madame, ex-actriz porno, vidente e, repetidas vezes, de vilã. Que papel lhe falta fazer?
Nunca falta um óptimo personagem. Não interessa se é vilã, se é heroína; se é comédia, se é drama; eu acho que um actor sempre está à procura de um personagem em que possa fazer a diferença. Agora vou fazer uma novela de época, um papel dramático com pinceladas de comédia, mas sai totalmente do que eu tinha feito. É um pouco mais fácil. Depois de 36 anos de Globo, imagine a quantidade de coisa que eu já fiz. Não se repetir é difícil. Estou sempre à procura de bons personagens, não interessa o que sejam.

Houve alguma personagem que lhe tenha definido a carreira?
A Tancinha [da telenovela Sassaricando, 1987]. Acho que comecei muito bem, com Roque Santeiro, foi minha primeira telenovela, e depois veio a Tancinha, que me atirou lá para cima. O [argumentista] Sílvio de Abreu disse-me: “Vou escrever o maior personagem da sua vida.” Dali, eu fiquei num outro lugar, só fui fazendo personagens um melhor do que o outro.

Foi difícil fazer um personagem “destrambelhado” como Tancinha?
Não – porque eu sou. Eu gosto de comédia, é uma coisa que faço com muita leveza, é muito gostoso para mim.

É a sua zona de conforto?
A comédia não é zona de conforto para ninguém. Se me pergunta: “É o que você mais gosta?” É o que eu mais gosto. Também adoro fazer cenas dramáticas, mas a comédia é o meu estilo favorito. Longe de ser fácil, é tudo muito pensado: o timing é perfeito, o texto tem de estar muito bem escrito para que a comédia se entenda na primeira informação. É muito difícil fazer comédia.

Sente que a necessidade de fazer comédia é maior no Brasil actual?
O Brasil é um país galhofeiro. Está no ADN, o brasileiro gosta de comédia – e nós adoramos fazer. Não mais do que antes, acho que é sempre bom. A comédia tem um impacto enorme em cada um, mesmo que a outra parte olhe com um pouco de preconceito para a comédia e para o musical.

Hoje é mais difícil fazer comédia?
Por um lado, sim. Hoje tudo tem de ser politicamente correcto. Eu não poderia mais fazer o Tonhão, por exemplo, que era uma presidiária sapatona [no programa TVPirata, em 1988]. Não poderia fazer mais a Maria Inspiração, uma mulher preta da favela, que eu fazia pintada de preto. Não poderia fazer, nas Filhas da Mãe, a transexual – hoje chamariam uma actriz trans para fazer. É uma inclusão, acho bem; precisa de um negro fazer um papel de negro, também está bem. Mas porque é que no humor não podemos fingir ser tantas pessoas? Porque somos actores, somos comediantes, é para isso. A coisa ficou tão vigiada que perdemos um pouco a espontaneidade na hora de fazer comédia, principalmente os autores, que têm de pensar o que se pode e não se pode fazer.

Recentemente, o especial de Natal da Porta dos Fundos fez correr muita tinta. Com as proporções que o caso tomou (nomeadamente, a decisão de um tribunal, entretanto revogada, para a retirada do programa do ar), teme que o seu trabalho esteja ameaçado?
O meu trabalho está ameaçado, porque a arte está ameaçada no país. Mas nós somos resistentes e vamos ultrapassar isso. Não vamos parar de trabalhar por causa disso. Tivemos a diminuição da Lei Rouanet [que regula incentivos fiscais para o patrocínio das artes]. É hora de não ficar parado, é hora de fazer. A arte, como bandeira, é quase um acto político. Nem nos anos 1960, na ditadura, conseguiram calar os artistas, não é agora que vai ser esse momento.

Já foi afectada na sua liberdade como artista?
Claro. Quando eu vejo o filme que eles impedem de ser colocado em cartaz [Marighella, de Wagner Moura], quando há uma peça que não pode ser realizada [Res Pública 2023, vetada pela direcção da Funarte, ligada ao Ministério da Cidadania], sinto que é uma ameaça. Essa peça não é minha, mas [a sua proibição] ameaça a minha classe, ameaça o entretenimento, ameaça o PIB brasileiro. Hoje, conseguimos atrair muito dinheiro com o teatro musical. Acciona o turismo, restauração, hotelaria, são milhares de pessoas que vão a São Paulo para assistir ao nosso espectáculo. Movimenta a economia do país. Isso são números, não é só a minha opinião.

O Brasil tem muitos problemas: de saúde, de educação, de segurança. Tudo isso tem de ser resolvido, antes de tudo. Mas tenho fé no país, porque é um país extremamente rico, grande, cheio de possibilidades; e no povo brasileiro, que é resistente. Eu vejo uma luz ao fim do túnel – não sei quando, mas virá.

Disse, numa entrevista, que os brasileiros deviam ter orgulho e não vergonha da telenovela. O género está em declínio no Brasil?
Não, não está. E isso é incrível. Hoje está muito mais polarizado, há mais opções, mas está no ADN, o país assiste à telenovela desde sempre. Em muitos lugares não há Internet. As pessoas assistem à novela e assistem à Globo. Claro que os números não são o que eram com Roque Santeiro, com 90% da população a assistir. Mas 45 ou 50 de share é uma imensidão. Cada vez mais, o streaming vai conquistando, é o caminho do mundo, mas no Brasil ainda vai demorar.

Vê a telenovela como património cultural brasileiro?
Com certeza. Fui inaugurar o Museu de Radiotelevisão em Nova Iorque e metade do acervo era da Globo. É uma televisão respeitada no mundo inteiro, chegamos a 194 países com as novelas. É um género que nos orgulha muito, porque sabemos fazer bem. Principalmente a TV Globo.

Tirando Brasil e Portugal, em que país o seu trabalho é mais conhecido?
Em toda a América Latina. Lá também é difícil andar, porque as pessoas reconhecem-me. Na Rússia, também. Há lugares que pensamos: “Como assim?” É impressionante a força que tem.

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Como resultou ConSerto para dois no Brasil?
Muito bem. É um projecto que encomendámos há dois anos a Ana Toledo, uma jovem autora. Há musicais que são biografias [sobre] artistas que existiram, com músicas que já existem – é um pouco mais fácil de fazer. Quando há músicas e história original, é complicado. Mas foi isso que pedimos à Ana Toledo, munimo-la de referências, inspirações, filmes, minisséries, o que queríamos fazer em cena, e ela escreveu. O Jarbas, como director, devolvia os textos, devolvia as músicas, e mexia, voltava, estivemos dois anos nisso. Até que chegou o momento de estrear.

Ficámos muito surpreendidos, porque a reacção do público foi maravilhosa. É uma grande comédia, uma supercomédia. É um casal de protagonistas: o Ângelo Rinaldi, que é autor de best-sellers, e ela uma diva de cinema, a Luna de Palma. O casal separa-se – o conserto com S é o conserto de uma relação. A história começa pelo fim, com eles a separarem-se, e passa-se num navio. Eles vão para a Antárctida, para esquecer a separação, só que vão os dois no mesmo barco [sem saberem].

Ficamos muito felizes porque tudo funciona. As pessoas morrem a rir com as músicas. Música de musical tem de contar a história, não é “pára para cantar”. Acho que Portugal vai-se divertir bastante com o ConSerto.

Da experiência que teve antes, a reacção em Portugal é a mesma que no Brasil?
É a mesma, em termos de riso. Só que o português ri em momentos diferentes do brasileiro. A gente usa várias tessituras de voz, vários sotaques de regiões do Brasil – isso o português não vai entender. Já tem graça por isso. Ele [Jarbas] faz de minha mãe, que é do Sul do país, é hilariante para quem entende de sotaque. Mas é-o anyway, porque ela é engraçada. No Brasil o público ri de coisas diferentes. Vamos ver como é cá, vai ser uma surpresa para nós: os portugueses vão achar graça a quê?