Coentrão diz ter falado com Bruno de Carvalho após invasão à academia

Internacional português ficou com a sensação de que o ex-presidente estava “com os jogadores”.

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Fábio Coentrão LUSA/JOSÉ COELHO

Fábio Coentrão admitiu, na 23.ª sessão do julgamento da invasão à academia do Sporting, ter falado com Bruno de Carvalho, “ainda que de forma breve”, quando este chegou a Alcochete, após a invasão.

“Falámos no corredor, e ele [Bruno de Carvalho] disse: ‘Isto é uma vergonha, isto não pode acontecer’”, afirmou Coentrão, sem clube desde o final da última época.

Entre os vários jogadores que têm sido ouvidos no tribunal da Monsanto, uns afirmaram ter recusado falar com o presidente e outros não comentaram o assunto.

Fábio Coentrão, de 31 anos, disse ter tido a sensação de que o presidente Bruno de Carvalho “estava com os jogadores”, quando convocou o plantel para uma reunião no dia seguinte à derrota dos “leões” frente ao Marítimo, que afastou o clube do segundo lugar da Liga e da Liga dos Campeões.

“Na reunião, o presidente disse: ‘Vocês são como filhos para mim, trato-vos como filhos’”, afirmou o futebolista, que “estava na casa de banho”, quando um grupo de 30 ou 40 adeptos invadiu a academia, em 15 de Maio de 2018.

Fábio Coentrão, que admitiu ser próximo dos líderes das claques, considerou que Fernando Mendes, antigo líder da Juventude Leonina, “desrespeitou a equipa no aeroporto da Madeira”, onde foi pedir satisfações pela derrota.

O julgamento da invasão à academia, que decorre no tribunal de Monsanto, em Lisboa, prossegue na sexta-feira, com a audição do futebolista William de Carvalho, um dos capitães à data dos factos, e do antigo “team manager” André Geraldes.

O processo tem 44 arguidos, acusados da co-autoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Bruno de Carvalho, à data presidente do clube, “Mustafá”, líder da Juventude Leonina, e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos do Sporting, estão acusados como autores morais de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Os três arguidos respondem ainda por um crime de detenção de arma proibida agravado e “Mustafá” também por um crime de tráfico de estupefacientes.

Aos arguidos que participaram directamente no ataque à academia, o Ministério Público imputa a co-autoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Estes 41 arguidos vão responder ainda por dois crimes de dano com violência, por um crime de detenção de arma proibida agravado e por um crime de introdução em lugar vedado ao público.

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