Portugueses retirados de Wuhan vão ficar em isolamento? Serão avaliados à chegada

O Governo português já anunciou que quer retirar por via aérea os portugueses retidos em Wuhan. Directora-geral da Saúde diz que não serão postos em isolamento.

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Miguel Manso

Os portugueses a retirar de Wuhan serão avaliados à chegada a Portugal para determinar o risco de exposição ao novo coronavírus e só depois serão tomadas eventuais medidas de isolamento social, explicou esta terça-feira à Lusa a directora-geral da Saúde.

A ministra da Saúde da França, Agnès Buzyn, afirmou hoje que os franceses que vão ser retirados desta cidade chinesa, epicentro do surto de coronavírus (2019-nCoV), que não apresentarem sintomas serão mantidos num local em confinamento por 14 dias, a duração máxima estimada da incubação da doença, para garantir que não foram infectados pelo vírus.

Questionada pela Lusa sobre se Portugal vai tomar uma medida idêntica, a directora-geral da Saúde, Graça Freitas, afirmou que não será tão restritiva: o que habitualmente se faz é a “história epidemiológica clínica” da pessoa. “A primeira coisa que temos que perceber quando chegarem é o risco que têm de poder ter contraído uma infecção. Se o risco for muito pequeno não se tomam medidas”, sublinhou.

Ressalvando que as autoridades portuguesas estão sempre a rever procedimentos em função do risco, a directora-geral da Saúde lembrou os procedimentos adoptados no caso da gripe A com os primeiros casos que vieram do México. “Pedimos às pessoas que vinham assintomáticas, que poderiam ou não estar a incubar o vírus, que fizessem isolamento social voluntário”, ou seja, que ficassem num quarto sozinhas e tivessem o mínimo de contacto com as pessoas. Mas, ressalvou, “a história inicial é que vai determinar o risco e em função desse risco é que se aconselham medidas” de isolamento social.

“Se os portugueses já estiveram nos últimos 14 dias nas suas casas em Wuhan, não tiveram contactos com pessoas ou animais, não estiveram expostos a nada, não têm sintomas, não há nenhum motivo para os colocar em isolamento social”, defendeu Graça Freitas. Para a responsável da autoridade de saúde portuguesa, são estas “medidas de bom senso que se devem tomar”. Lembrou ainda que a pessoa só vai para o hospital se tiver sintomas. Contudo, vincou, as autoridades mantêm contacto com estas pessoas para se assegurem que não têm sintomas. “Até agora, o protocolo português é assim e segue orientações da Organização Mundial da Saúde”, rematou.

Voluntários desinfectam a rua em Qingdao, província de Shandong EPA
Um homem de máscara na rua em Pequim WU HONG/EPA
Cidadãos de máscara na zona de Sanlitun, em Pequim WU HONG/EPA
Um militar de máscara guarda o portão de Tiananmen, em Pequim CARLOS GARCIA RAWLINS/Reuters
Militares de máscara junto ao portão de Tiananmen, em Pequim CARLOS GARCIA RAWLINS/Reuters
Um funcionário de máscara na estação de autocarros junto ao aeroporto internacional de Pudong, em Xangai. Os transportes públicos foram suspensos entre as províncias chinesas ALY SONG/Reuters
Cidadãos de máscara às compras num supermercado, em Pequim TINGSHU WANG/Reuters
Seguranças verificam a temperatura de um cliente à entrada de um supermercado, em Pequim TINGSHU WANG/Reuters
Clientes de máscara entram no elevador de uma loja da cadeia de supermercados Hema Fresh, da multinacional chinesa Alibaba, em Pequim TINGSHU WANG/Reuters
Um médico mede a temperatura corporal de um homem na zona de embarque do aeroporto internacional de Changsha Huanghua, na província chinesa de Hunan THOMAS PETER/Reuters
Uma ambulância circula numa ponte vazia em Wuhan, província de Hubei, onde surgiu o surto do novo coronavírus. A cidade de Wuhan já foi colocada em quarentena pelas autoridades YUAN ZHENG/EPA
Um funcionário totalmente protegido desinfecta a equipa que irá seguir numa ambulância no centro de urgências em Wuhan YUAN ZHENG/EPA
Os médicos usam fatos de protecção e termómetros para medir a temperatura corporal aos passageiros na estação de metro de Xizhimen, em Pequim CARLOS GARCIA RAWLINS/Reuters
A chefe do executivo de Hong Kong, Carrie Lam, anunciou em conferência de imprensa a suspensão das ligações entre Hong Kong e a China continental - todos os participantes estavam de máscara JEROME FAVRE/EPA
Passageiros de máscara no metro em Pequim CARLOS GARCIA RAWLINS/Reuters
Polícias e médicos medem a temperatura aos passageiros a bordo de um avião no aeroporto de Zhoushan, na província chinesa de Zhejiang EPA
Cidadãos de máscara no metro em Pequim CARLOS GARCIA RAWLINS/Reuters
Um funcionário mede a temperatura de um passageiro numa estação de metro em Pequim CARLOS GARCIA RAWLINS/Reuters
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Portugal accionou os dispositivos de saúde pública devido ao coronavírus proveniente da China e tem em alerta o Hospital de São João, no Porto, o Curry Cabral e Estefânia, em Lisboa.

Em Portugal foram activados os protocolos estabelecidos para situações do género, reforçando no Serviço Nacional de Saúde a linha Saúde 24, através do número 800242424, e a linha de apoio médico, para triagem e evitar que em caso de eventual contágio as pessoas não encham os centros de saúde e as urgências dos hospitais.

Alguns países, como Estados Unidos, Japão, França, Alemanha e Portugal, estão a preparar com as autoridades chinesas a retirada dos seus cidadãos de Wuhan, onde também se encontram duas dezenas de portugueses. O Governo português já anunciou que quer retirar por via aérea os portugueses retidos em Wuhan.

A China elevou para 106 mortos e mais de 4.000 infectados o balanço do novo coronavírus detectado no final do ano em Wuhan, capital da província de Hubei (centro).

As pessoas infectadas podem transmitir a doença durante o período de incubação, que demora entre um dia e duas semanas, sem que o vírus seja detectado.