28.º Congresso do CDS

Assunção Cristas: “Falhei o resultado”

O 28.º Congresso do CDS-PP, que decorre este sábado e domingo em Aveiro, vai eleger o novo líder do partido.

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Paulo Pimenta

No discurso de despedida no 28.º Congresso do CDS-PP, a líder cessante assumiu este sábado de manhã que não atingiu os resultados, mas não quis explorar os motivos por não ser o “momento” para dissecar o assunto.

“Falhei o resultado. Falhei porventura a análise das possibilidades que se abriam com as novas circunstâncias políticas e os resultados ficaram muito aquém das minhas e das vossas expectativas”, disse Assunção Cristas, depois de ter lembrado que optou por “um caminho de oposição firme e construtiva”.

Assunção Cristas recordou que o “caminho” que escolheu “foi sufragado em Gondomar e depois em Lamego, entretanto já com eleições decorridas – as regionais dos Açores e as autárquicas”, nas quais o CDS ficou “acima das expectativas”. Mas, na perspectiva da líder do partido, essa opção não foi suficiente. 

“Não bastou termos sido uma oposição combativa, tantas vezes isolada, à má acção ou inacção deste Governo, com a saúde à cabeça. Não bastou termo-nos batido contra a eutanásia ou as barrigas de aluguer. Não bastou um contacto permanente com as pessoas no terreno, e recordo apenas o caso dramático de Pedrógão. Não bastou termos propostas permanentes para promover a natalidade e ajudar as famílias ou para apoiar as empresas e dinamizar a economia”, disse.

A líder que anunciou não ser recandidata após a derrota eleitoral de 6 de Outubro escusou-se a assumir os motivos. “Uns dirão que a estratégia estava errada, outros que se cometeram erros tácticos ou de comunicação ou que falhámos na avaliação das circunstâncias. Ouvi muitas análises e, naturalmente, tenho a minha própria. Não julgo útil, nem este seria este o momento apropriado para dissecar os erros desse roteiro. O tempo encarregar-se-á dessa análise detalhada”, afirmou.

Assunção Cristas limitou-se a agradecer à equipa e ao que aprendeu “nas presenças e nas ausências”. E deixou também um agradecimento especial à actual líder parlamentar: “Nesta altura de transição, por natureza sempre difícil e nesta nossa circunstância ainda mais exigente, é também com muito orgulho que vejo a Cecília Meireles honrar o nosso partido com um trabalho extraordinário na liderança do grupo parlamentar”.

Lembrando que entrou para o partido “há 12 anos” e vinda “de fora” – sem mencionar Paulo Portas, o líder que a convidou a entrar no CDS –, Assunção Cristas confessou tristeza mas não “desilusão” por sempre ter sabido “que em política nunca se pode esperar reconhecimento”. “Saio triste pelo resultado, mas tranquila por saber que dei tudo o que podia por aquilo em que acredito”, disse.

Assunção Cristas pediu que o debate no congresso seja “profundo, sério, leal e a olhar para o futuro”.

Após a intervenção, Assunção Cristas abandonou o pavilhão onde decorre, neste sábado e domingo, o 28.º Congresso do CDS, onde cerca de 1400 delegados escolherão o seu sucessordiscutir 12 moções de estratégia e eleger um novo líder. São candidatos Abel Matos Santos, Carlos Meira, Filipe Lobo d'Ávila, Francisco Rodrigues dos Santos e João Almeida.

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