(da esquerda para a direita) Activistas Vanessa Nakate (Uganda), Luisa Neubauer (Alemanha), Greta Thunberg (Suécia), Isabelle Axelsson (Suécia) e Loukina Tille (Suíça)
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(da esquerda para a direita) Activistas Vanessa Nakate (Uganda), Luisa Neubauer (Alemanha), Greta Thunberg (Suécia), Isabelle Axelsson (Suécia) e Loukina Tille (Suíça) Reuters/DENIS BALIBOUSE

Jovem ugandesa recortada de fotografia oficial de Davos onde aparecia com Greta

Nakate foi convidada a dar um entrevista colectiva com outras activistas do clima. Foi fotografada juntamente com as colegas, mas a imagem divulgada por alguns meios de comunicação não incluía a activista ugandesa.

Vanessa Nakate, uma jovem activista do Uganda, foi recortada de uma fotografia onde aparecia ao lado de outras quatro figuras mundiais do clima como Greta Thunberg, Loukina Tille, Luisa Neubauer e Isabelle Axelsson. Na fotografia original, Nakate estava numa das pontas do retrato, mas na versão editada e divulgada pela Associated Press, uma agência de notícias norte-americana, apenas as restantes jovens apareciam na fotografia.

Esta sexta-feira, Nakate foi convidada a dar um entrevista colectiva com as restantes jovens no Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, esta sexta-feira. Foi depois da conferência da imprensa que a fotografia editada começou a circular. Num vídeo publicado na sua conta do Twitter, a jovem acusa os meios de comunicação de racismo, acrescentando que pela primeira vez na vida entende o significado daquela palavra.

Visivelmente emocionada, a jovem questiona a AP sobre o porquê de ter sido apagada da fotografia já que era “parte daquele grupo” e acusa a agência de não fazer passar a mensagem que tentou transmitir no seu discurso. “Eu olho para as fotografia e vejo que claramente que cortada. E as mensagens de toda a gente estavam a ser passadas e a minha não. O que mais me magoa é pensar nas pessoas do meu país e de África, e no quanto estas pessoas são afectadas pela crise climática. Pessoas que perdem a vida, ou as suas casas e filhos e eu penso: quem é que vai poder falar por estas pessoas?”, refere Nakate no vídeo.

Ao site de notícias Buzzfeed, David Ake, o director de fotografia da AP, David Ake, disse que o fotógrafo tinha um prazo apertado e recortou a fotografia “unicamente por motivos de composição”. “Ele achava que o prédio que está no fundo [atrás de Vanessa Nakate] era distractivo”, disse Ake. A agência assegura que já substituiu a fotografia recortada pela imagem original, alegando que não teve intenção de prejudicar a jovem.

Em resposta ao vídeo de Nakate, muito jovens activistas saíram em sua defesa, dizendo que “era injusto alguém ser apagado de uma fotografia” e que a activista “merece ter uma voz”. “É uma pena que África seja não só ignorada, mas também deliberadamente removida”, referiu Theo Cullen-Mouse, um activista climático irlandês de 17 anos. “O continente africano foi o que menos contribuiu para as alterações climáticos, mas é um dos que mais sofre. O mínimo que podemos fazer é dar voz aos africanos”, acrescentou.

Também Greta Thunberg respondeu à publicação de Vanessa Nakate, dizendo que lamenta que toda aquela situação tenha acontecido. “És a última pessoa que merece isto. Estamos todos muito gratos pelo que estás a fazer e enviamos-te amor e apoio. Espero ver-te em breve”, escreveu a jovem sueca no Twitter.

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