Torne-se perito

Médica agredida na urgência do Hospital de Águeda

De acordo com o hospital, a agressora foi a mãe de uma criança que estava a ser atendida. Médica sofreu uma fractura numa das mãos.

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Paulo Pimenta

Uma médica foi agredida esta quinta-feira à noite na urgência do Hospital de Águeda. De acordo com o hospital, a agressora foi a mãe de uma criança que estava a ser atendida. Na sequência da agressão, a médica sofreu uma fractura numa das mãos.

O incidente aconteceu pelas 23h. Questionado pelo PÚBLICO, o Centro Hospitalar do Baixo Vouga (CHBV), a que pertence o Hospital de Águeda, esclareceu que “no final da consulta — que decorreu normalmente — a mãe da criança começou, repentinamente, a insultar a médica, acusando-a de incompetência e lentidão”. “Tendo, posteriormente, avançado para a agressão física, do que resultou de uma fractura de uma das mãos”, disse ainda.

O major Pedro Reis, relações públicas do Comando Territorial de Aveiro, confirmou ao PÚBLICO que a GNR foi chamada ao local para tomar conta da ocorrência. O mesmo adiantou que até ao momento à GNR não chegou nenhuma queixa formal de nenhuma das duas intervenientes. De acordo com o Jornal de Notícias, o primeiro a avançar com a informação, a médica tem 33 anos e a mãe da criança 45.

O CHBV disse que esta sexta-feira “a médica vai apresentar-se ao Instituto de Medicina Legal, para realizar exames de perícia”. E que o conselho de administração “ofereceu ajuda psicológica à profissional”.

Questionado sobre medidas de segurança, o CHBV especificou que “não há, em Águeda, o sistema de botões de pânico”, porque o serviço de urgência está prestes a entrar em obras de profunda requalificação. A consignação da obra está agendada para 30 de Janeiro próximo. 

O centro hospitalar esclareceu que a urgência “dispõe do serviço de segurança, cujo elemento prestou o devido apoio à situação”. E adiantou que no serviço de urgência de Aveiro (unidade que pertence também aos mesmo centro hospitalar) o sistema de botões de pânico já está em funcionamento.

Ainda esta sexta-feira, e em reacção ao caso, a secção regional do centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) lamentou a ausência de respostas concretas por parte da tutela perante o aumento da violência contra os trabalhadores, acusando o Ministério de Saúde de “mostrar desorientação total e incapacidade para proteger e dar segurança aos seus profissionais”. 

“Urge uma resposta rápida, eficaz e eficiente perante o agravamento deste problema que afeta, cada vez em maior número e gravidade, os profissionais de saúde”, declarou Carlos Cortes, presidente do SRCOM. 

O responsável considera que a mensagem do Ministério da Saúde tem sido “complacente e permissiva”, defendendo que “é preciso agir, rapidamente, antes que surja alguma situação de especial complexidade e com consequências trágicas”.

“O Ministério da Saúde tem de dialogar com as organizações profissionais perante o agravamento dos casos de violência. Até agora, temos assistido à intenção de criar medidas fantasiosas. Não é possível continuar a assistir a esta inacção da tutela, perante as queixas de injúrias, ameaças, discriminação e violência física”, vincou.

No final do ano passado foram noticiadas várias agressões a médicos e já no início deste ano uma agressão a uma enfermeira. O número de notificações de agressões a profissionais de saúde — sendo que grande parte são injúrias — tem aumentado nos últimos anos, de acordo com os dados da Direcção-Geral da Saúde.

Já no início deste ano, os ministros da Saúde e da Administração Interna reuniram-se e anunciaram a criação de um gabinete de segurança para acompanhar e prevenir situações de violência contra profissionais. Também um grupo de 13 médicos lançou uma petição online, que já foi entregue na Assembleia da República, contra a violência sobre profissionais e na qual pediam medidas mais céleres e punitivas destas situações. com Lusa