Telemóvel de Jeff Bezos terá sido pirateado por príncipe herdeiro saudita

Fotografias íntimas guardadas no telemóvel do multimilionário dono da Amazon foram roubadas. Análise forense ao dispositivo revela que mensagem enviada de conta de Mohammed bin Salman no WhatsApp permitiu a transferência dos dados.

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Jeff Bezos é um dos homens mais ricos do mundo e proprietário da Amazon e do Washington Post Reuters/JOSHUA ROBERTS

O príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman terá sido o responsável pelo roubo de informação do telemóvel do magnata Jeff Bezos, avança o The Guardian, citando as conclusões de uma investigação ao aparelho do CEO da Amazon e proprietário do Washington Post. Os sauditas já tinham sido implicados neste caso ao longo das investigações, mas agora o jornal britânico relaciona a intrusão com uma mensagem enviada da conta do próprio “MBS.”

A investigação forense detalha que, em 2018, após receber uma mensagem no WhatsApp que terá sido aparentemente enviada da conta do príncipe da Arábia Saudita, um grande volume de informação privada — incluindo fotografias privadas — foi extraído do telemóvel do CEO da Amazon. Essa mensagem, apurou a análise forense, continha um ficheiro malicioso que permitiu a intrusão no aparelho e posterior roubo de informação.

Foi o próprio Bezos a solicitar esta análise forense ao dispositivo, depois de, em Fevereiro de 2019, acusar o tablóide norte-americano National Enquirer de ter ameaçado publicar as fotografias íntimas roubadas, caso o Washington Post continuasse uma investigação que tinha como alvo o jornal. 

Um mês antes desta denúncia, em Janeiro de 2019, o National Enquirer noticiou uma relação extraconjugal entre Bezos e Lauren Sanchez, uma antiga apresentadora de televisão. A revelação do caso, apontado como o principal motivo para o divórcio entre Jeff Bezos e MacKenzie Bezos, foi acompanhada de mensagens privadas trocadas entre o multimilionário e Sanchez.

O especialista contratado por Bezos para descobrir os responsáveis pela fuga de informação, Gavin de Becker, relaciona a acção da Arábia Saudita e o alegado conluio com o National Enquirer com a cobertura noticiosa do Washington Post sobre a morte do jornalista saudita Jamal Khashoggi, seu colaborador, assassinado em 2018 no consulado saudita em Istambul, na Turquia.

“Os nossos investigadores e peritos concluíram, com grande confiança, que os sauditas acederam ao telemóvel de Bezos e conseguiram acesso a informação privada”, escreveu de Becker num extenso artigo para o site Daily Beast, em Março de 2019. O investigador detalhou ainda a “relação próxima” que o príncipe saudita desenvolveu com David Pecker, responsável pela American Media, grupo que detém o National Enquirer.