Movimento de cidadãos do Sudoeste contra o “avanço galopante” de estufas

Movimento quer ver o assunto debatido na Assembleia da República.

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Miguel Manso

A Resolução de Conselho de Ministros 179/2019 que vem estabelecer novas regras para as áreas a ocupar por estufas, túneis elevados, túneis e estufins, está a gerar mal-estar nas comunidades do concelho de Odemira. Face ao “avanço galopante e descontrolado” das culturas intensivas, alguns cidadãos decidiram criar um movimento contra os “quilómetros de plástico” que cobrem práticas agrícolas em regime intensivo e que “vêm pôr em causa a integridade do território”, salienta o Juntos pelo Sudoeste - Movimento de Cidadãos de Odemira e Aljezur pela Defesa do Sudoeste.

Através de comunicado, referem que se constituíram em “reacção à incúria e falta de zelo do Estado Português na preservação de um património ambiental ecologicamente sensível”, frisando que a resolução aprovada pelo Governo “permite - tal como o PÚBLICO noticiou em Novembro - triplicar a área coberta de plástico que já existe” no perímetro de rega do Mira (PRM).  

A decisão tomada pelo Governo limita a produção agrícola protegida a uma percentagem máxima de 40 % da área total do PRM, mas a área afecta à instalação de estufas não poderá ultrapassar os 30 %.

O movimento critica igualmente a solução aprovada para alojar, em contentores e “dentro das explorações agrícolas”, trabalhadores imigrantes que trabalham nas estufas, até um valor que “pode atingir cerca 36.000 pessoas, numa região que tem uma população e está dimensionada para cerca de 26 000 habitantes”. 

Nesta sua primeira acção, o movimento acaba de lançar uma petição pública cujo objectivo “primordial” é fazer com que a nova realidade social e agrícola no concelho de Odemira “seja avaliada e debatida na Assembleia da República”, com vista a uma “compatibilização” entre os valores do parque natural, onde o PRM está inserido, e a agricultura que lá se faz. Pretendem recolher 4.000 assinaturas para que o assunto seja discutido no Parlamento.

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