A melhor face do Sp. Braga é mais uma ameaça ao Sporting

Bracarenses e sportinguistas vão reeditar hoje a meia-final da Taça da Liga da época passada. Os “leões” vão jogar sob pressão perante uma equipa que ainda imbatível com Rúben Amorim no comando

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LUSA/MANUEL FERNANDO ARAÚJO

Um ano depois, a história repete-se: no mesmo palco (Estádio Municipal de Braga) onde se defrontaram a 23 de Janeiro de 2019, Sp. Braga e Sporting lutam hoje (19h45, SPTV1) pelo primeiro bilhete para a final da Taça da Liga 2019-20. Na última edição, os sportinguistas levaram a melhor após vencerem no desempate por grandes penalidades, mas 363 dias depois, qualquer semelhança entre o momento que os “leões” atravessavam antes das duas meias-finais da prova é pura coincidência: ao contrário do que aconteceu há um ano, o Sporting chega a Braga sob enorme pressão e à procura de uma boia de salvação que atenue os estragos de uma época que, em Janeiro, já está praticamente perdida.

A 19 pontos do líder do campeonato no final da primeira volta, com quase tantas vitórias (nove) como jogos onde não ganhou (oito), e já sem hipóteses de defender a conquista da Taça de Portugal, o Sporting terá esta noite em Braga um jogo de alto risco. Os “leões” vão reeditar com os bracarenses a meia-final do ano passado, mas com um estado de espírito bem distinto do jogo no início de 2019.

Há um ano, os sportinguistas não tinham ainda hipotecado a possibilidade de vencer as quatro competições em que competiam e com apenas três pontos de atraso para o vice-líder Benfica no campeonato, a equipa, na altura comandada pelo holandês Marcel Keizer, viajou até Braga moralizada por uma sequência de resultados que nos dias que correm parecem uma miragem em Alvalade: 13 vitórias em 17 jogos.

Desta vez, o cenário para Silas é bem mais sombrio. Com um início de 2020 difícil de digerir para os adeptos – derrotas consecutivas em Alvalade nos clássicos frente a FC Porto e Benfica -, o Sporting dos últimos meses tem oscilado muito facilmente entre o paupérrimo (desaires em Barcelos e Linz) e o óptimo (goleadas nos Açores e em Portimão), e para complicar ainda mais o enredo “leonino”, para garantir que no próximo sábado estará na final a defender o título da Taça da Liga, o Sporting terá que superar um Sp. Braga que, para além de jogar em casa, está com os índices de motivação a roçar o máximo.

Após quatro meses de comportamento bipolar sob o comando de Sá Pinto (excelente a nível internacional, desapontante nas provas internas), o novo ano trouxe a melhor face dos “arsenalistas”. Com a entrada de Rúben Amorim e uma maior folga no calendário em comparação com a fase inicial da temporada, os minhotos surgiram em 2020 com um desenho táctico diferente e os primeiros três testes do jovem técnico foram superados com distinção.

Depois de se estrear no Jamor com a maior goleada da época (7-1 ao Belenenses SAD), a estratégia de Amorim ainda ameaçou fraquejar na recepção ao Tondela, mas a forma competente como o Sp. Braga conseguiu derrotar o FC Porto no Dragão confirmou que os bracarenses estão no rumo certo.

Apesar disso, Micael Sequeira, adjunto de Amorim, descartou qualquer favoritismo do Sp. Braga na meia-final, não negando, porém, que “seria uma desilusão” se os minhotos caíssem pelo segundo ano consecutivo na antecâmara da final.

A ausência de Palhinha, jogador emprestado pelo Sporting, irá obrigar a mudanças, mas Sequeira acredita que as alternativas não vão tirar consistência ao meio-campo defensivo dos minhotos: “Mesmo sabendo que não há jogadores com características iguais às do Palhinha, esperamos que a dinâmica coletiva se vá manter com outro jogador com outras características.”

Do lado do Sporting, o prolongar da novela sai-não-sai de Bruno Fernandes é um alívio para Silas e os adeptos sportinguistas. Emanuel Ferro, técnico adjunto de Silas, disse ontem que o internacional português continua “comprometido com a equipa e esse sentimento vai estar presente amanhã [hoje] no jogo” dos “leões”.

De fora, tal como aconteceu no derby da passada sexta-feira frente ao Benfica, voltará a estar Luciano Vietto - não está descartada a utilização do argentino na final se o Sporting conseguir a qualificação -, mas há uma excelente notícia para Silas: após cumprir castigo no derby lisboeta, Sebastián Coates vai voltar a formar a dupla de centrais com Jérémy Mathieu.