Davos: chamada para um mundo mais sustentável

Líderes políticos e económicos mundiais estão reunidos até sexta-feira no Fórum Económico Mundial que, este ano, também decorre sob o signo das alterações climáticas e da necessidade de transformar a economia para criar um mundo mais justo e sustentável

A presidente da Comissão Europeia disse que Davos é o palco onde líderes desavindos conseguem dialogar
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A presidente da Comissão Europeia disse que Davos é o palco onde líderes desavindos conseguem dialogar LUSA/Gian Ehrenzeller

A Comissária Europeia, Ursula von der Leyen, apelou, esta segunda-feira, à união de todo o mundo para enfrentar o desafio de uma mudança económica que contribua para um planeta mais sustentável. “Podemos reconciliar a nossa economia com o planeta; o desenvolvimento humano com a protecção da nossa casa. Mas só podemos fazê-lo juntos”, disse, na abertura do Fórum Económico Mundial, que decorrer em Davos, na Suíça, até à próxima sexta-feira. Este ano, o tema principal é “agentes para um mundo coeso e sustentável”.

É o 50.º aniversário do Fórum e não é surpresa que as questões ambientais estejam no centro das discussões que ali irão decorrer. Afinal, ainda na semana passada o mesmo organismo revelava, na análise de riscos que realiza anualmente, que, pela primeira vez, os mais de 750 participantes colocaram as questões ambientais em todos os lugares do Top 5 das riscos globais mais prováveis nos próximos dez anos. Na página da internet do encontro deste ano, que junta quase três mil participantes, incluindo vários líderes mundiais, Klaus Schwab, fundador e presidente do Fórum, juntou-se às muitas vozes que têm pedido uma acção imediata. “Com o mundo numa encruzilhada tão crítica, temos de desenvolver este ano um ‘Manifesto Davos 2020’, para recriar o propósito e as tabelas de desempenho para companhias e governos. Foi para isso que o Fórum foi criado há 50 anos e é com isso que queremos contribuir nos próximos 50”, disse.

Entre os temas prioritários da cimeira deste ano estão “como salvar o planeta”, “economias mais justas” ou “futuros mais saudáveis”. No discurso de abertura, Schwab dirigiu-se aos participantes, e em particular aos “jovens líderes globais”, justificando: “Vocês são pessoas que acreditam na interconectividade no nosso mundo, no facto de sermos todos interdependentes, que acreditam na força da acção. São pessoas prontas para trabalhar juntas, para melhorar o estado do mundo. Pessoas que sabem que as mudanças não estão só a acontecer, mas podem ser moldadas por nós. Sei que todos aqui têm a boa vontade para contribuir para desenhar um mundo melhor.”

Ursula von der Leyen, promotora do Pacto Verde Europeu, insistiu na mesma ideia, lembrando que a participação de todos os agentes intervenientes (multistakeholders) é “essencial para resolver os problemas dos próximos tempos”. E Davos, disse, é o palco ideal para dar o salto necessário, porque, defendeu: “É o local onde líderes que de outra maneira não falariam uns com os outros se envolvem em diálogo, onde conflitos são evitados e disputas terminam”.

Criticado, muitas vezes, por ser o palco onde se reúnem os principais responsáveis por vários problemas – incluindo ambientais – e conflitos, Davos está sempre sob a mira de diferentes grupos de activistas. Este ano não é diferente e há uma marcha de activistas a caminho de Davos, que começou já no fim-de-semana. Esta terça-feira, Greta Thunberg discursa no Fórum, no mesmo dia que o presidente norte-americano, Donald Trump, também o fará. Referindo-se a estes dois intervenientes, que têm estado em lados absolutamente opostos da barricada do clima, Klaus Schwab disse que “ambas as vozes são necessárias”, salientando a importância de ambos marcarem presença em Davos.

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