China confirma transmissão de novo vírus entre humanos. Infecção chega a Pequim e Xangai

Número de novas infecções aumenta: novo coronavírus já chegou a Pequim, Xangai e Cantão, longe da cidade de Wuhan, onde se pensa que o surto começou.

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Hospital Jinyintan em Wuhan, China EPA/STRINGER

As autoridades sanitárias chinesas confirmaram esta segunda-feira que o novo coronavírus, responsável por um surto de pneumonia, é transmissível entre humanos e já infectou profissionais de saúde. Zhong Nanshan, um investigador da Comissão Nacional de Saúde citado pela agência Xinhua, confirmou que dois casos registados na província de Cantão resultaram de contágio directo entre humanos. Também esta segunda-feira, morreu a terceira vítima do novo tipo de pneumonia viral, revelaram as autoridades chinesas durante a madrugada.

O número de pessoas infectadas com esta nova forma de pneumonia aumentou nos últimos dias, depois de ter chegado a Pequim, Xangai e Cantão, já muito longe da cidade de Wuhan, onde se pensa que este surto se possa ter originado. Ali, o número de pessoas infectadas também subiu: foram registados pelo menos 17 novos casos.

O Presidente chinês, Xi Jinping, afirma que neste momento a prioridade é conter o surto e salvar vidas, numa altura em que milhões de chineses viajam pelo país para as festividades do Ano Novo Chinês, que começam esta semana. “A vida e saúde das pessoas devem ser a grande prioridade e a disseminação do surto tem de ser controlado”, afirmou Xi Jinping em declarações​ à televisão estatal.

Oficialmente e até esta segunda-feira foram contabilizados 217 casos de contágio na China, um na Coreia do Sul, dois na Tailândia e um no Japã​o, avança a agência Reuters. Os números apresentados pelas autoridades chinesas não são, no entanto, consensuais. Uma equipa de cientistas britânicos, do centro de investigação do Imperial College de Londres, fez as contas e estima que exista “um total de 1723 casos” de pessoas que apresentavam sintomas deste novo coronavírus em Wuhan desde 12 de Janeiro.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) informou em comunicado que vai reunir de emergência esta quarta-feira para “verificar se o surto constitui uma emergência de saúde pública de impacto internacional” e para perceber que “recomendações devem ser dadas para gerenciar” o vírus.

Novo caso de infecção registado na Coreia do Sul

Também nesta segunda-feira foi identificado o primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus na Coreia do Sul. De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da Coreia do Sul, o vírus foi diagnosticado a uma mulher chinesa de 35 anos, que chegou de avião de Wuhan. Está neste momento de quarentena.

A paciente já tinha ido ao hospital de Wuhan no sábado por se sentir febril. Neste centro hospitalar chinês recebeu tratamento médico. No dia seguinte, apanhou um voo para Incheon, na Coreia do Sul, onde os seus sintomas foram detectados.

Na semana passada foram identificados três outros casos de infecção fora da China: dois na Tailândia e um no Japão. Em todos os casos, as pessoas infectadas tinham regressado de Wuhan.

O que se sabe sobre o novo vírus?

Por enquanto, sabe-se que os sintomas são semelhantes aos de uma pneumonia, com febre alta, infecções respiratórias e lesões pulmonares. Os primeiros casos relatados datam de Dezembro.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) chama-lhe “um novo tipo de coronavírus”. Os coronavírus são uma grande família de vírus que pode causar infecções respiratórias — de uma simples constipação até quadros mais graves, como pneumonia atípica (mais conhecida como SARS).

Alguns dos primeiros infectados trabalhavam num mercado de peixe em Wuhan. Para além do peixe e marisco, vendia-se ali animais vivos – como pássaros, coelhos ou cobras. A transmissão da doença dos animais para os humanos ainda não foi posta de parte pelas autoridades. O mercado está fechado desde o início de Janeiro para desinfecção.

A OMS não coloca de lado a hipótese de surgirem mais casos de infecção fora da China. Este é um período de maior circulação de cidadãos de e para a China por causa das celebrações do Ano Novo Chinês, no próximo dia 25. Em resposta a estas informações, os Estados Unidos anunciaram na sexta-feira que vão monitorizar os passageiros dos voos provenientes de Wuhan para aeroportos em Los Angeles, São Francisco e Nova Iorque.

No aeroporto internacional de Wuhan foram instalados medidores electrónicos de temperatura, e todos os passageiros que apresentarem uma temperatura corporal acima dos 38ºC serão colocados em quarentena.

Em Portugal, a Direcção-Geral de Saúde emitiu um comunicado com cuidados para quem viajar para a China:

  • lavar frequentemente as mãos;
  • evitar contacto com animais e pessoas com infecções respiratórias agudas;
  • tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir (com lenço de papel ou com o braço, nunca com as mãos; deitar o lenço de papel no lixo);
  • lavar as mãos sempre que se assoar, espirrar ou tossir.
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