Nova direcção do Livre – sem Joacine – eleita com 95 votos a favor e 15 brancos

A nova direcção do Livre foi escolhida este domingo, no segundo do dia do IX congresso do partido.

Foto
Rui Tavares foi eleito para a assembleia do Livre com mais 49 membros, já Joacine Katar Moreira não se candidatou a nenhum órgão Daniel Rocha

A nova direcção do partido foi eleita este domingo, no IX Congresso do Livre, com 95 votos a favor da lista A, a única lista candidata, e 15 votos em branco, e recebeu um total de 110 votos. Joacine Katar Moreira fica afastada da liderança do partido durante os dois próximos anos, uma vez que não foi convidada a integrar a nova direcção e não apresentou nenhuma lista própria.

“Os próximos dois anos serão difíceis, mas o Livre nunca teve uma vida fácil. Já renascemos de várias mortes anunciadas e sempre continuámos resilientes”, vincou Isabel Mendes Lopes, reeleita como dirigente do Livre, no seu discurso de vitória. “O congresso votou pela continuidade da direcção”, disse. Joacine Katar Moreira, presente na primeira fila do auditório, não bateu palmas, ao contrário da maioria dos congressistas.

Com uma palavra de agradecimento a (quase) todos os candidatos, “de Faro a Viana do Castelo”, (de fora dos agradecimentos ficou pelo menos Katar Moreira), Isabel Mendes Lopes deixou uma outra mensagem para o futuro, com um recado para a primeira fila do auditório: “é preciso melhorar o modelo das primárias”: o modelo de escolha de candidatos do partido e que elegeu Joacine Katar Moreira. 

À saída do congresso, a deputada disse estar disposta a fazer cedências, mas os novos dirigentes do partido mostraram-se cépticos em relação a uma eventual mudança do comportamento de Joacine Katar Moreira. 

A direcção é nova, os nomes nem por isso

Dos 15 membros eleitos, sete transitam da actual direcção. É o caso de Carlos Teixeira, que substituiria Joacine Katar Moreira no Parlamento, caso a deputada renunciasse – algo que já garantiu que não irá fazer

Também Pedro Mendonça, que integra a condução do partido desde 2015, renova o seu lugar na direcção. Pedro Mendonça tem estado presente em alguns dos encontros entre o Livre e o Governo, na negociação acerca do Orçamento do Estado, e na audiência do Presidente a República para a discussão do Orçamento do Estado com todos os partidos.

Transitam também para a nova direcção Ana Raposo Marques (que nas legislativas foi cabeça de lista de Setúbal), Isabel Mendes Lopes, Pedro Nunes Rodrigues (cabeça de lista pela Madeira), Safaa Dib (número três por Lisboa) e Patrícia Gonçalves (deputada municipal e número cinco pelo distrito). 

PÚBLICO -
Foto
Os 15 dirigentes eleitos pela larga maioria do congresso integram sete membros da anterior direcção Daniel Rocha

No discurso de agradecimento da direcção, Isabel Mendes Lopes centrou a mensagem naquelas que serão as preocupações da direcção durante os dois próximos anos: a ecologia, o novo pacto verde, as eleições regionais dos Açores a a presidência europeia portuguesa.

Caras novas

Já do lado das novas caras para a direcção chegam: Ana de Morais e Castro, Tomás Cardoso Pereira, a número dois do Porto Filipa Pinto, o cabeça de lista de Leiria Filipe Honório, Henrique Vasconcelos, João Monteiro e Teresa da Mota. Ofélia Janeiro, que já tinha estado na direcção em anos anteriores, regressa ao cargo de dirigente do Livre.

Além de Joacine Katar Moreira, saem da lista da direcção do partido Eduardo Viana, Florbela Carmo, Jorge Pinto, José Manuel Azevedo, Marta Costa e Paulo Muacho.

Já na escolha do conselho de jurisdição, houve menos consenso. No total, para a eleição do conselho de jurisdição, que, tal como no caso da direcção, tinha apenas uma lista a concorrer, foram contabilizados 109 votos, menos um voto do que para a escolha da direcção. Mas aqui a divisão foi maior. Dos 109 votos, foram contados 66 votos para a lista liderada por Ricardo Sá Fernandes. Os restantes votos dividiram-se entre os 15 votos nulos e 28 votos brancos.

Joacine Katar Moreira não apresentou nenhuma lista, nem se candidatou à assembleia do Livre a título individual, pelo que não integrará nenhum dos órgãos internos do partido durante os próximos dois anos.

Sugerir correcção