Ana Avoila deixa sindicalismo após 34 anos de dedicação exclusiva

O percurso sindical de Ana Avoila começou em 1982 e, em 1993, integrou a direcção da Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública (FNSFP), que coordena há 16 anos. Também abandonará a Comissão Executiva da CGTP em Fevereiro.

Ana Avoila
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Ana Avoila LUSA/Tiago Petinga

Ana Avoila vai deixar o sindicalismo, após 34 anos de dedicação exclusiva, passando o testemunho a Sebastião Santana no 12.º Congresso da Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública (FNSFP), que se inicia esta quinta-feira em Braga.

“Chegou o momento de dar lugar aos mais novos e a outros camaradas que vão dar continuidade ao nosso projecto sindical e eu vou poder fazer outras coisas na vida de que gosto e para as quais não tenho tido muito tempo”, disse Ana Avoila, coordenadora da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, em entrevista à agência Lusa.

Funcionária pública há 44 anos, sempre trabalhou na área da Segurança Social, onde mantém o seu posto de trabalho, no departamento de recursos humanos do Instituto de Segurança Social. A licenciatura em Direito, que terminou há 11 anos, permitiu-lhe concorrer a uma lugar de técnica superior, que não irá ocupar de facto dado que se irá aposentar em Fevereiro, aos 66 anos.

O percurso sindical começou em 1982, quando foi eleita delegada sindical pelos seus pares, e quatro anos depois passou a ser dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública do Sul e Açores a tempo inteiro, integrando, nessa qualidade, a partir de 1993, a direcção da Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública (FNSFP).

Ana Avoila coordena a FNSFP há cerca de 16 anos, assim como a Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública. Enquanto coordenadora da federação passou a integrar a Comissão Executiva da CGTP em 2004, lugar que também abandona no próximo congresso da central sindical, que se realiza em Fevereiro.

“Mas não vou ficar parada, vou trabalhar na área do Direito, pretendo fazer pareceres jurídicos, gosto sobretudo do Direito Constitucional e já tenho algumas propostas”, disse Ana Avoila, explicando que até agora nunca exerceu advocacia porque considerava que não o devia fazer por estar no sindicalismo a tempo inteiro. Só tratou de alguns casos de forma gratuita, para ajudar algumas pessoas que lhe pediram apoio. Mas, agora, pretende dar mais uso ao escritório que tem no Barreiro, onde reside.

Ana Avoila disse à Lusa que deixa o sindicalismo com a convicção de que a FNSFP, e o movimento sindical unitário em geral, estão preparados para os desafios futuros e para dar resposta aos problemas dos trabalhadores.

Conflitualidade laboral vai aumentar em 2020​

A sindicalista Ana Avoila prevê que 2020 vá ser um ano difícil para os funcionários públicos, com um programa do Governo que lhes agrava mais os problemas, o que irá aumentar a conflitualidade laboral, que começa já no dia 31.

“Acho que o ano de 2020 vai ser um ano de muita conflitualidade laboral. (...) O que está no programa do Governo vai agravar os problemas dos trabalhadores, em vez de os resolver. Não vai ser um ano fácil”, disse a coordenadora da Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública (FNSFP), Ana Avoila, em entrevista à agência Lusa.

Ana Avoila lembrou, a propósito, que o Governo quer negociar com os sindicatos da administração pública um plano estratégico que contém medidas que os sindicatos consideram inaceitáveis.

“Mas, os trabalhadores da administração pública já perceberam que é preciso lutar, nomeadamente por melhores salários”, afirmou a sindicalista, reafirmando que a FNSFP reivindica aumentos de 90 euros por trabalhador.

Este é o aumento salarial que a CGTP defende para os sectores público e privado.

“Este aumento é necessário porque não podemos continuar a viver num país, que apesar de estar na União Europeia, continua a ter salários muito baixos e impostos sobre o rendimento do trabalho elevadíssimos”, defendeu Ana Avoila.

Segundo a sindicalista, para haver de facto uma aproximação às condições de vida da União Europeia, “tem que haver um paradigma diferente”.

“Não vale a pena dizer que não há dinheiro”, disse, acrescentando que o Governo destinou este ano 70 milhões de euros para aumentos salariais na função pública, mas destinou 120 milhões de euros para aquisições, ou seja para pagar a advogados externos, projectos técnicos ou secretárias dos gabinetes”, disse.

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