Bombeiros que foram ajudar vítimas de ciclone em Moçambique ainda não receberam ajudas de custo

Protecção Civil alega que continua à espera de autorização para pagar cerca de 35 mil euros aos profissionais portugueses que participaram nas operações de resgate e apoio às populações da região da Beira, em Moçambique.

O ciclone Idai deixou um rasto de destruição à sua passagem
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O ciclone Idai deixou um rasto de destruição à sua passagem Daniel Rocha (arquivo)

Quase um ano passado desde que foram chamados a ajudar nas operações de resgate e apoio às populações afectadas pelas cheias, em Moçambique, três dezenas de bombeiros portugueses continuam sem receber a comparticipação financeira que lhes é devida. Segundo o Jornal de Notícias, a Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC) alega que continua a aguardar autorização para pagar os cerca de 35 mil euros correspondentes ao trabalho efectuado pelos operacionais portugueses.

A um dia da visita do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, à região da Beira, uma das mais afectadas pelas cheias do ano passado em Moçambique que vitimaram centenas de pessoas, aquele jornal noticia que o que está em causa não são remunerações mas ajudas de custo devidas por deslocação ao estrangeiro. Alegadamente, este atraso decorre do facto de os operacionais em causa não terem vínculo permanente de emprego público. 

Além dos dez operacionais da Força Especial de Bombeiros, uma estrutura operacional que depende directamente da ANEPC, o problema abrange 20 bombeiros voluntários de oito diferentes corporações do distrito de Santarém, cuja experiência em cenário de cheias justificou a mobilização. Alguns destes profissionais queixaram-se ainda de não ter havido, até agora, o habitual reconhecimento público (louvores ou condecorações) pelo trabalho prestado.

Ao JN, o presidente da Associação Portuguesa de Bombeiros Voluntários, Rui Silva, que disse desconhecer a dívida em causa, sublinhou que atrasos como este desincentivam futuras participações noutras missões humanitárias. 

Esta manhã, no Parlamento, questionando pelo deputado do PSD Duarte Marques sobre esta matéria, o ministro da tutela, Eduardo Cabrita, não justificou esta falta de pagamentos, assim como deixou por justificar iguais atrasos no pagamento aos bombeiros dos subsídios de apoios para a educação dos seus filhos menores de seis anos. Limitou-se a dizer que são “notícias do dia de jornais”, sem avançar qualquer explicação.