Marcelo diz estar a “carregar baterias” quando perguntado sobre recandidatura

“Cada coisa para seu momento”, recomendou Presidente da República na véspera da tomada de posse do chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi.

Marcelo Rebelo de Sousa
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O Presidente da República com os empregados do restaurante em Maputo onde jantou esta segunda-feira LUSA/ANTÓNIO SILVA

Marcelo Rebelo de Sousa disse esta terça-feira estar a “carregar baterias” em Moçambique quando questionado sobre uma eventual recandidatura à Presidência da República, deixando a resposta em aberto.

“Estou a carregar baterias em Moçambique, pode ser que isso ajude em termos também de Portugal”, respondeu, à saída de um encontro com o chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, no palácio da presidência em Maputo.

"Quem está para tomar posse é o Presidente moçambicano. Vamos deixar cada coisa para seu momento”, concluiu Marcelo que termina o seu primeiro mandato em Belém em 2021.

Marcelo Rebelo de Sousa encontra-se em Moçambique desde segunda-feira para uma visita de cinco dias centrada na tomada de posse de Nyusi para um segundo mandato, cerimónia agendada para esta quarta-feira.

Dois casos

Os dois casos por resolver em Moçambique do homicídio e desaparecimento de portugueses estiveram na agenda do encontro entre o Presidente português e o chefe de Estado Filipe Nyusi, num programa que inclui a língua portuguesa.

Da parte do chefe de Estado português, como referiu nesta segunda-feira, o homicídio de Inês Botas e o desaparecimento de Américo Sebastião estarão em cima da mesa de forma “evidente”.

“O Estado português tem proporcionado não só contactos permanentes” aos familiares, “mas também apoio, porque, tanto num caso como noutro, o que encontramos são questões jurídicas”, detalhou o Presidente português. Questões jurídicas por esclarecer que no caso do homicídio de Inês Botas, em 2017, “dizem respeito aos tribunais, em termos de lentidão do processo”, enquanto que sobre o desaparecimento de Américo Sebastião, em 2016, estão em causa “as investigações prévias à intervenção do tribunal”, a cargo do Ministério Público moçambicano.

Inês Botas foi raptada e assassinada em 28 de Dezembro de 2017 em Moçambique, onde trabalhava ao serviço da empresa portuguesa Ferpinta, na zona da Beira, centro do país. As autoridades judiciais da província de Sofala decretaram a prisão preventiva de três suspeitos, mas o julgamento continua por se realizar e um suspeito já fugiu da prisão.

O empresário agrícola e madeireiro Américo Sebastião foi raptado em 29 de Julho de 2016, numa estação de serviço em Nhamapadza, distrito de Maríngué, província de Sofala, centro do país, desconhecendo-se até hoje o que lhe aconteceu.

A agenda de Marcelo para esta terça-feira prevê ainda, às 11:00 locais, uma visita à exposição “Português de Moçambique no Caleidoscópio” no Centro Cultural Português. Trata-se de uma mostra das actividades da Cátedra de Português - Língua Segunda e Estrangeira, sediada na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane e pretende expor as diferentes facetas do Português em Moçambique (histórica, social, linguística).

No programa consta, também, um almoço com personalidades locais e, durante a tarde, a visita à Escola Portuguesa de Moçambique, onde funciona o ensino do pré-escolar ao 12º ano de escolaridade, integrado no sistema de educação português. A agenda termina com uma recepção oferecida à comunidade portuguesa numa unidade hoteleira da cidade - estima-se que haja entre 23 a 25 mil portugueses em Moçambique.

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