Johnson confiante em que a família real vai resolver a situação de Harry e Meghan

“Grande fã da rainha e da família real”, o primeiro-ministro britânico escusou-se a tecer considerações sobre o assunto. “Acho que provavelmente serão capazes de resolver isto mais facilmente sem nenhum comentário da minha parte.”

,Primeiro Ministro do Reino Unido
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Boris Johnson admitiu ser "um grande fã da rainha e da família real" Victoria Jones/Reuters
,Palácio de Kensington
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Harry e Meghan irão passar parte do seu tempo no Canadá NEIL HALL/LUSA
,Família real britânica
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Isabel II não começa 2020 de melhor maneira do que acabou o ano anterior ANDY RAIN/LUSA
,Casamento do príncipe William e Catherine Middleton
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Vários observadores acusam a imprensa de ser racista com Meghan FACUNDO ARRIZABALAGA/LUSA

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, está confiante em que a família real vai superar a crise provocada pela decisão de Harry, sexto na linha de sucessão, e de Meghan de se afastarem dos seus deveres reais. Na segunda-feira, depois de uma reunião entre a rainha, o filho e os dois netos, Isabel II deu a sua bênção a Harry e a Meghan e emitiu um comunicado, considerado raro pelos meios de comunicação social britânicos, em que concorda com as mudanças anunciadas pelo neto e acrescentando que as decisões finais devem ser conhecidas em breve.

Em declarações à BBC, Johnson admitiu ser “um grande fã da rainha e da família real”, reconhecendo o “património fantástico” que os monarcas constituem para o país e declarando estar “absolutamente confiante de que eles vão resolver” a situação em causa, escusando-se a tecer quaisquer outros comentários. “Acho que provavelmente serão capazes de resolver isto mais facilmente sem nenhum comentário da minha parte.”

A crise real foi desencadeada quando Harry, de 35 anos de idade, e Meghan, de 38, anunciaram publicamente, na semana passada, que desejavam reduzir as suas funções reais, abdicando dos seus papéis de “altos membros da família real”, e passariam mais tempo na América do Norte.

A rainha, de 93 anos, disse que o casal começará agora um “período de transição”, entre o Reino Unido e o Canadá, durante o qual investirá num estilo de vida mais independente, respeitando a rainha o seu desejo de terem independência financeira. A decisão saiu de uma reunião que juntou, segunda-feira à tarde, na propriedade da rainha em Sandringham, o príncipe Carlos, herdeiro da coroa, e os filhos deste, os príncipes William, segundo na linha de sucessão, e Harry. Inicialmente foi dito que Meghan, duquesa de Sussex, que na última sexta-feira partiu para o Canadá para se reunir ao filho Archie, participaria no encontro através de videochamada, mas acabou por não fazê-lo.

“Embora tivéssemos preferido que continuassem a trabalhar como membros da família real a tempo inteiro, respeitamos e entendemos o desejo de [ambos de] terem uma vida mais independente”, lê-se no comunicado assinado por Isabel II.

Ecos de Diana

Harry e Meghan disseram que querem ter um novo papel “progressivo” e independência financeira, naquele que será um modelo mais próximo de outras famílias reais europeias, cujo estilo de vida se coaduna melhor com os tempos actuais. Porém, o casal não está apenas a tentar uma nova abordagem à monarquia, mas sobretudo a escapar ao escrutínio dos tablóides britânicos, que têm sido implacáveis com a ex-actriz norte-americana.

No início de Outubro, depois de o britânico The Mail on Sunday​ ter publicado trechos de uma carta redigida pela duquesa de Sussex na qual se dirigia ao seu pai, Meghan anunciou a sua decisão de processar o grupo editorial responsável e de agir contra a DMG Media (antiga Associated Newspapers) por uso indevido de informações privadas, violação de direitos de autor e violação da Lei de Protecção de Dados de 2018. A acompanhar a decisão de Meghan, Harry emitiu um longo comunicado em que descreve o comportamento daqueles órgãos de comunicação social como bullying, assumindo que o seu “maior receio é que a história se repita”. “Eu vi o que acontece quando alguém que eu amo é catalogado ao ponto de deixar de ser tratado ou visto como uma pessoa real. Perdi a minha mãe [na sequência de um acidente de viação, em Agosto de 1997, enquanto o carro onde seguia era perseguido por vários paparazzi] e agora vejo a minha mulher a ser vítima das mesmas forças poderosas.”

Uma das acusações que têm sido debatidas é o racismo dos media britânicos para com Meghan, porque tem ascendência negra. No entanto, a ministra do Interior britânica, Priti Patel, disse, na segunda-feira, que discorda de que os artigos publicados sejam racistas. Seja como for, vários especialistas apontam a questão para justificar a forma como Meghan tem sido tratada pela imprensa. “Ter a audácia porque é isso que é — de se apresentar [como uma figura] auto-soberana sempre foi um privilégio reservado a homens, sobretudo a homens brancos”, explicou à CNN a fundadora e editora do site TheYBF.com, que se dedica a acompanhar celebridades negras, Natasha Eubanks. “No entanto, aqui está Meghan a exibir essa audácia e a ser... incentivada por um homem branco que, por acaso, é o seu marido”, concluiu.

Duques no Canadá

Uma das decisões do casal, anunciada no comunicada de quarta-feira passada, foi de passar a dividir o seu tempo entre o Reino Unido e a América do Norte. E, apesar de terem chegado a existir rumores de que estariam de partida para os Estados Unidos, já se sabe que o país escolhido é o Canadá, onde os duques passaram uma temporada entre Dezembro e Janeiro e para onde, na última sexta-feira, Meghan viajou para estar com o filho. 

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, disse, entretanto, em declarações à Global News, que a maioria dos canadianos apoiava a permanência dos monarcas no país, um dos 16 da Commonwealth onde a rainha Isabel II é soberana. Sobre o processo e os custos da deslocalização do lar dos Sussex para o país, Trudeau foi cauteloso: “Ainda há muitas discussões a ter.”

Segundo a imprensa, Harry deverá juntar-se à mulher no final desta semana, havendo ainda várias questões sem resposta, como a que se refere à segurança da família, cujo pagamento é feito através do dinheiro dos contribuintes britânicos. O grupo Republic, que defende a abolição da monarquia, estima que custa mais de cem milhões de libras (quase 117 milhões de euros) por ano para proteger a realeza. Porém, os monárquicos contrapõem com o retorno financeiro da casa real, oriundo sobretudo do turismo.

Actualmente, Harry e Meghan são financiados principalmente pela verba que lhes chega do príncipe Carlos, que provém do ducado da Cornualha, recebendo ainda um valor do Fundo Soberano (5%) que os proíbe de ter outros trabalhos remunerados.

“Estes são assuntos complexos para a minha família resolver, e ainda há mais trabalho a ser feito, mas pedi que as decisões finais fossem tomadas nos próximos dias”, disse Isabel II que, depois de um ano de 2019 muito difícil, com a debilidade crescente da saúde do marido, o duque de Edimburgo, e com o afastamento do príncipe André dos deveres reais, na sequência da relação de amizade que mantinha com Jeffrey Epstein, o milionário norte-americano acusado de dirigir uma rede de tráfico de mulheres (incluindo menores de idade) para fins sexuais. Epstein foi encontrado morto na sua cela numa prisão de segurança máxima em Manhattan, Nova Iorque, a 10 de Agosto, no dia a seguir a ter vindo a público a existência de provas sobre o envolvimento do príncipe, assim como de outras personalidades, como o antigo governador do Novo México, Bill Richardson, ou o antigo senador norte-americano pelo Partido Democrata George Mitchell.

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