Doze maneiras de ser um pai melhor (e mais feliz) este ano

Um conselho para cada mês do ano por Braden Bell, professor norte-americano e autor de livros e artigos sobre parentalidade.

"Algo disto irá importar daqui a 20 anos?"
Foto
Ser pai não é seguir uma fórmula, os conselhos para 12 meses do ano PAULO PIMENTA

Enquanto professor, ao longo dos anos, já tive a oportunidade de observar e aprender através de muitos pais. Já fiquei impressionado várias vezes pelo quão felizes, positivos e responsáveis alguns deles são, mesmo em alturas difíceis. Mas também há os que se preocupam e muitas vezes não parecem gostar de ser pais – os que me deixaram com a impressão de que mal aguentam.

Já estive dos dois lados, e suspeito que a maioria de nós oscila entre esses extremos. Aqui ficam algumas estratégias para uma existência parental mais fácil e responsável, baseada em ver pais felizes.

1. Seja pai a partir da sensatez, não do medo

A expressão é de Tim Elmore [especialista nas novas gerações de crianças e jovens], que nota que uma grande parte do comportamento parental está subjugado pelo medo. Enquanto pais, talvez temamos outras pessoas, a nossa própria inexperiência e imperfeições, ou toda uma quantidade de coisas terríveis que se possam abater sobre as nossas crianças.

Por isso, Elmore sugere substituir conscientemente o medo pela sensatez. Fala sobre isso no contexto de darmos o exemplo aos nossos filhos, mas acho o processo útil também para nós próprios. Não podemos simplesmente deixar de lado o medo ou a culpa, mas podemos resistir-lhes. Já percebi que agir sobre sentimentos como os do medo ou da culpa aumenta o seu peso. Já resistir-lhes minimiza-os.

2. Encontre um mentor

Procure orientação de alguém que o possa ajudar a determinar que batalhas precisam de ser travadas e quando pode sossegar um pouco. Ter um mentor também lhe permite beneficiar com os erros e as lições árduas de outrem. Pode encontrar mentores no seu bairro, no trabalho, na escola ou na comunidade religiosa.

Contudo, tenha em mente que poderá ser alguém mais velho e com uma visão do mundo diferente da sua, já que, por norma, quem tem mais experiência tem mais anos de vida. Tudo bem. Não tem de fazer tudo o que essa pessoa sugira. Mesmo que discorde do seu mentor, ele pode sempre dar-lhe conselhos úteis.

3. Confie em si mesmo

Nos dias que correm, temos acesso rápido a quantidades enormes de informação de especialistas, o que pode ser benéfico, mas também paralisante. Receio que crie uma expectativa de que todos os problemas têm uma resposta “certa”, claramente definida, sabida por alguém. Mas até os especialistas se debatem com os seus filhos. Ser pai não é uma ciência exacta, é mais um processo de usar estratégias específicas em alturas específicas para obter resultados específicos.

Em vez de seguir uma receita, os pais bem-sucedidos cativam os seus filhos com base na sua experiência, juízo e valores. Os pais estão dispostos a ir contra o que todos fazem e enfrentar batalhas difíceis. Dizem “não” quando é preciso. Quando cometem erros, tentam outra abordagem. E, se falhar algures, aproveitam a oportunidade para dar o exemplo aos seus filhos sobre como corrigir os seus erros.

4. Não seja intriguista

Quer seja a falar de outro pai, de um professor ou de um colega do seu filho, ser intriguista tem um efeito negativo em quem ouve ou quem lê, seja numa conversa ao vivo, por telefone ou via mensagem de texto. 

A intriga gera um ambiente que não dá lugar à mudança ou ao crescimento – incluindo o nosso próprio. A intriga também nos habitua a procurar o pior e a focar a nossa atenção no que não podemos controlar (as escolhas dos outros), em vez de naquilo que podemos controlar (as nossas escolhas). A intriga gera ansiedade.

5. Tente um jejum das redes sociais

Já ouvimos falar sobre o bem-estar que encontramos quando nos livramos de tralha. Há uns anos, tentei livrar-me consideravelmente das minhas redes sociais. E mudou a minha vida. Também melhorou muito as minhas relações familiares. Esse jejum deu-me a clareza para ver como poderia alinhar melhor o uso das redes sociais com as minhas prioridades e valores.

6. Deixe o seu filho viver as consequências

É libertador quando deixamos de tentar gerir e mitigar as consequências das acções dos nossos filhos e, em seu lugar, nos focamos em prepará-los para a vida através de desafios, assim como ajudá-los a aprender com a experiência. Ajuda-nos a focarmo-nos no que podemos controlar e dá ferramentas aos nossos filhos, porque o fracasso, a dificuldade e os obstáculos são o que cria e afina as capacidades e habilidades de que precisam para serem bem-sucedidos como adultos.

7. Há vida para lá do horário do seu filho

Vivemos numa época de oportunidades sem precedentes para as crianças. Mas o bom em excesso pode ser um problema e estar demasiado ocupado pode ter consequências negativas nas famílias.

Há uns anos, por nos sentirmos muito sobrecarregados e stressados, eu e a minha mulher reduzimos as actividades extracurriculares do nosso filho a uma por período lectivo. Fez uma enorme diferença na vida familiar. Não proponho essa solução para toda a gente, mas é refrescante fazer escolhas sobre o que queremos fazer, em vez de fazer aquilo que um horário dita.

Quanto tempo não estruturado e não orientado por adultos tem o seu filho? Participa numa actividade por ser divertida ou porque está a tentar construir um currículo para o seu filho, prepará-lo para obter uma bolsa ou ajudá-lo a atingir outros objectivos futuros? Algo disto irá importar daqui a 20 anos?

8. Faça algo que aprecie

Encontrar coisas pequenas para fazer pode ter um grande impacto na vida familiar. Uma vez ouvi uma autora premiada discutir como utilizava a hora do banho da filha para ter uns minutos de escrita. Às vezes só conseguia escrever uma frase. Mais tarde apercebeu-se que foi assim que aprendeu a escrever uma frase única, perfeita.

Ouvir audiolivros, desfrutar da sua bebida preferida, ver um programa ou ouvir um podcast enquanto prepara refeições – há muitas maneiras de cuidar de si próprio.

9. Ligue-se

É fácil, na pressão de tudo o que temos para fazer, perder de vista o que precisamos para nos ligarmos aos nossos filhos, mas construir esses relacionamentos pode ajudar a prevenir ou mitigar um sem número de problemas sérios. Devemos procurar relacionarmo-nos com os outros pais. Tenho visto problemas aparentemente enormes, quase intratáveis, resolvidos muito rapidamente quando os pais pegam no telefone e falam uns com os outros. Organize um encontro com os outros pais ou junte-se a uma associação da comunidade, grupo religioso ou um clube de lazer para pais.

10. Crie memórias

Memórias de família são uma moeda que trocamos com os nossos filhos, algo que não se desvanece ou desaparece. Podem trazer gargalhadas e alegria, aproximando-nos. O meu maior teste agora, para ver se algo vale o nosso tempo, esforço e dinheiro, é perguntar se é uma coisa que nos vai dar memórias. Se a resposta for sim, vou quase sempre fazê-lo, não importa o custo.

11. Faça algo à antiga

Muito daquilo de que nos afastámos progressivamente tem um impacto positivo no nosso coração: escrever à mão um cartão de agradecimento, ler um livro em papel, aperaltar-me, usar o serviço numa refeição, dar um jantar de festa, fazer um bolo, danças de salão ou jardinagem. Tendemos a focarmo-nos no nosso estilo de vida e conveniências modernas, mas os nossos antepassados viveram centenas de anos sem nenhum dos recursos que temos. O que para eles mais importava, as suas ideias, costumes e tradições podem não se alinhar na perfeição com o que mais valorizamos nos dias de hoje, mas ainda nos podem ensinar algo.

12. Aja em vez de se preocupar

Canalize o seu medo, preocupações ou revolta para a acção. A história frequentemente avança com pequenas reviravoltas e com as acções de gente comum na altura certa. No mínimo, pelo menos estará a fazer algo. E isso pode ajudar a trazer paz e felicidade.

Braden Bell é professor, escritor e realizador de Nashville, Tennessee. Autor de sete livros, tem um blogue e escreve uma newsletter com reflexões sobre ser pai de adolescentes. Está no Twitter em @bradenbellcom.

Exclusivo PÚBLICO/The Washington Post

Sugerir correcção