Crónica de jogo

Qualidade do Rio Ave obrigou o Benfica a aplicar-se a fundo

Num excelente jogo, os “encarnados” estiveram duas vezes em desvantagem, mas garantiram a qualificação com dois golos de Seferovic na segunda parte e vão defrontar Paços de Ferreira ou Famalicão nas “meias”.

Seferovic festeja o seu primeiro golo
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Seferovic festeja o seu primeiro golo LUSA/MÁRIO CRUZ

Em teoria, o duelo no Estádio da Luz entre Benfica e Rio Ave era o jogo de maior cartaz dos quartos-de-final. Na prática, o confronto não defraudou: houve duas equipas à procura de vencer, bom futebol, golos e polémica q.b. Com uma excelente réplica dos vila-condenses, o Benfica precisou de aplicar-se a fundo para vencer por 3-2 e garantir um lugar nas meias-finais da Taça de Portugal.

Com menos de 72 horas após o final da partida para recuperar os jogadores para o clássico com o Sporting, na Liga, Bruno Lage deixou de fora Gabriel, mas não se ficou por aí nas poupanças: para além da habitual troca de guarda-redes na prova (Zlobin no lugar de Vlachodimos), Tomás Tavares voltou a fazer o papel de André Almeida na direita da defesa.

Com as fichas quase todas colocadas numa boa prestação na Taça de Portugal, Carlos Carvalhal também mexeu pouco: Paulo Vítor rendeu Kieszek na baliza; Matheus Reis e Diogo Figueiras foram os laterais em vez de Nélson Monte e Pedro Amaral.

Logo no terceiro minuto, surgiu o primeiro sinal de que a partida merecia um horário com mais decoro, que permitisse ter mais público: Rúben Dias derrubou Taremi à entrada da área e, depois de ter marcado na sexta-feira nos Açores, Piazón voltou a mostra qualidade. Com um remate em arco, o brasileiro emprestado pelo Chelsea inaugurou o marcador.

O golo não desestabilizou o Benfica, que reagiu bem e esteve perto do empate por Chiquinho (8’), mas cinco minutos depois a igualdade foi mesmo restabelecida: assistido por Vinícius, Cervi, de pé direito, bateu Paulo Vítor. A partir daí, o jogo ficou mais repartido, com as duas equipas a aproximarem-se com perigo das balizas, até que em cima da meia hora surgiu um dos lances polémicos do jogo: Taremi aproveitou a má colocação de Zlobin para fazer o segundo do Rio Ave, numa jogada em que os benfiquistas reclamaram uma falta sobre Chiquinho na área do clube de Vila do Conde. Artur Soares Dias, após consultar o videoárbitro, optou por não visualizar as imagens.  

Em cima do intervalo, o árbitro do Porto teve um comportamento diferente: marcou penálti por alegada falta sobre Taarabt, mas, após indicação do VAR, foi confirmar que não existiu qualquer infracção. 

Sem substituições ao intervalo, o início da segunda parte mostrou um Rio Ave diferente. Carvalhal deu indicações no balneário para os jogadores recuarem, correrem menos riscos e, dessa forma, cortou os caminhos da sua baliza ao Benfica.

Sem soluções, Lage arriscou em cima da hora de jogo: Seferovic no lugar de Ferro, Weigl recuou para central. Três minutos depois de entrar em campo, o suíço, assistido por Vinícius, fez o primeiro (2-2). Com o empate, o Rio Ave voltou a subir no terreno, o jogo recuperou a qualidade inicial, mas a noite era de Seferovic. Dez minutos depois de entrar, o avançado bisou e colocou o Benfica nas meias-finais da Taça de Portugal.