Bruno Simão

John Romão na cabeça de nove meninas disciplinadas

Entre 15 e 18 de Janeiro, Virgens Suicidas inspira-se em textos de Frank Wedekind e Jeffrey Eugenides para colocar na Culturgest um conjunto de meninas educadas através do corpo. Sem que saibamos quem alimenta este sistema opressor.

É uma escola para meninas onde estas são treinadas na repetição de estranhos exercícios entre a ginástica, a dança e a representação teatral. O primeiro exercício a que assistimos é o simulacro de um suicídio que a aluna interpreta com brio. Merece, pois, nota positiva. E ficamos avisados. O tom de bizarria está instalado e a partir daqui qualquer expectativa de normalidade é um nado-morto. Aos poucos, entra-se neste peculiar mundo em que três professoras ensaiam um grupo de nove meninas (com um rapaz infiltrado, claramente um corpo estranho, “bactéria no sistema”, como lhe chama o encenador John Romão) para um espectáculo final, promovendo a competição entre as alunas: de entre as várias favoritas das professoras (a actriz Luísa Cruz e as bailarinas e coreógrafas Vera Mantero e Mariana Tengner Barros), aquela que provar ser a melhor será premiada com o papel principal, a partir de um leque que vai de mosquito a princesa. E quando uma das meninas se lesiona, com uma farpa na coxa, a queixa que apresenta junto de uma das prelectoras é esta: “Dói-me quando caminho e também quando tento fazer coisas belas.”