Abstencionistas e apoiantes de Pinto Luz na mira de Rui Rio

Um dia depois das directas, candidatura do líder do partido prepara-se para uma semana dura e com muito trabalho para evitar que os militantes desmobilizem na segunda volta das eleições.

Rui Rio teve uma vitória exppressiva na primeira volta das directas para a liderança do PSD
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Rui Rio teve uma vitória exppressiva na primeira volta das directas para a liderança do PSD LUSA/ANTÓNIO COTRIM

O presidente do PSD, que sábado vai disputar a segunda volta das eleições directas com Luís Montenegro, tem pela frente uma semana trabalhosa para poder aumentar a margem de votos que os militantes lhe deram na primeira volta e que não chegaram para a vitória absoluta. A Rui Rio faltaram 299 votos (0,56%) para ter sido reeleito líder do PSD. O cenário de vencer à primeira pairou durante a noite eleitoral na candidatura riista, mas não passou disso mesmo e agora o partido está perante uma bipolarização.

A direcção de Rio tem consciência que é preciso trabalhar muito para evitar que os militantes desmobilizem por estarem cansados de eleições e vai empenhar-se em aumentar a margem de votos alcançada este sábado. “Não vamos trabalhar para os mínimos, vamos trabalhar para os máximos”, declarou ao PÚBLICO David Justino, primeiro vice-presidente do PSD, que acredita que há condições para conseguir mobilizar uma parte dos militantes com quotas pagas e que se abstiveram nestas eleições. “Uma parte desse universo pode cair para a candidatura de Rui Rio”, acrescenta David Justino que não afasta que uma parte dos apoiantes de Miguel Pinto Luz possa apoiar o líder do partido. Já Pinto Luz já deixou claro que não apoiará nenhum dos candidatos à liderança na segunda volta.

Num apelo aos militantes, David Justino pede-lhe para não desmobilizarem e acena com a mensagem deixada pelo líder na noite eleitoral. “O discurso de Rui Rio acalenta a esperança”, apontou o vice-presidente do PSD. “Temos de trabalhar, não vamos ficar pendurados à espera que as coisas aconteçam. Desta vez, as opções são mais claras e perante uma bipolarização é provável que as pessoas que não votaram agora possam votar no sábado”, acrescenta David Justino.

Dirigentes e apoiantes do líder do partido são unânimes em dizer que vitória alcançada na primeira volta imprimiu uma dinâmica e confiança à candidatura. E frisam que Rio cavalgou a onda, aproveitando o palco da noite eleitoral para fazer um discurso mobilizador. Na interpretação de um apoiante do ex-presidente da Câmara do Porto, “Rui Rio conseguiu transmitir aos militantes uma confiança sem euforias ao mesmo tempo que os convocou seguirem em frente porque vai correr tudo bem”.

O resultado alcançadas nas directas pela candidatura riista é, na opinião do deputado e presidente da distrital do PSD-Porto, Alberto Machado, um “sinal claro” da vontade dos militantes que “disseram que querem continuar a ter Rui Rio como líder do partido”.

Afirmando que os “grandes vencedores” das eleições são os militantes, Alberto Machado confessou que chegou a acreditar que a vitória à primeira volta estava ao alcance de Rio. “O voto do militante de base definiu o futuro do partido”, declarou ao PÚBLICO o dirigente da distrital, que reparte os elogios que faz aos militantes com o presidente do partido.

“Foi uma vitória muito significativa porque o presidente do PSD ganhou em distritos onde esperávamos que não ganhasse e nos distritos onde perdeu, perdeu por pouco. Este resultado teve a ver com o voto livre dos militantes que expressaram a sua vontade”, reiterou o deputado. Confiante numa vitória um pouco mais folgada, o dirigente distrital faz um apelo aos militantes para que “tenham um pouco mais de paciência” porque – afirma – “vem aí uma semana de muito trabalho”.

Declarando também que os “grandes vencedores das eleições foram os militantes”, o porta-voz do Conselho Estratégico Nacional (CEN) do PSD para a área da Solidariedade e Sociedade de Bem-Estar, António Tavares, elogia o líder e aconselha-o a “falar para os militantes” nos próximos dias. “Depois de tudo o que foi dito sobre Rui Rio e da sua falta de capacidade para ser alternativa ao PS, os militantes de uma forma muito significativa deram-lhe uma votação expressiva. A lição que devemos tirar daqui é que os militantes exprimiram de forma clara que gostavam de continuar com Rui Rio na liderança do PSD”.

O PÚBLICO tentou contactar, sem êxito a candidatura de Luís Montenegro. Já Miguel Pinto Luz não quis fazer declarações.