Confrontos nas imediações da Universidade da Florida, onde o neonazi Richard Spencer discursou, em Outubro de 2017
Confrontos nas imediações da Universidade da Florida, onde o neonazi Richard Spencer discursou, em Outubro de 2017 Shannon Stapleton/Reuters

A guerra do sofá: como os deploráveis da Net mudaram a política

Viu radicais influenciarem o ciclo mediático a partir do Twitter. Ouviu uma rapariga contar como de apoiante de Obama passou a líder de extrema-direita. Andrew Marantz investigou como a alt-right explorou a liberdade e os algoritmos das redes sociais para infiltrar ideias extremas no debate nacional nos EUA. E teme que a história se repita nas eleições de 2020.

No National Press Club, em Washington, D.C., a noite era de festa. Estavam lá muitas das pessoas que Andrew Marantz se habituara a seguir na Internet: Cassandra Fairbanks, personalidade da Internet de extrema-direita que se apresentou com manicura inspirada na bandeira americana; Luke Rudkowski, instigador de teorias de conspiração no YouTube, negacionista da mão humana nas alterações climáticas; Gavin McInnes, ex-punk, fundador da revista Vice, antigo “padrinho dos hipsters”, convertido em islamofóbico e criador dos Proud Boys, uma organização de extrema-direita, violenta, 100% masculina (“chauvinistas ocidentais que recusam pedir desculpas por terem criado o mundo moderno”); e Jim Hoft, um cinquentão de fato, orgulhoso por dirigir o Gateway Pundit, pasquim digital pró-Trump que publica mentiras e espalha rumores (e, gabava-se Hoft naquela festa, registava “um milhão de visualizações por dia”).