1979-2020

Paulo Gonçalves era Speedy Gonçalves: do motocrosse ao topo do mundo

Era considerado um dos melhores pilotos de sempre do motociclismo português. Morreu este domingo aos 40 anos.

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Paulo Gonçalves EPA/David Fernandez
Paulo Gonçalves
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Paulo Gonçalves Reuters/MARIANA BAZO
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Paulo Gonçalves Reuters/HAMAD I MOHAMMED
,Rally Dakar 2020
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Paulo Gonçalves EPA/ANDRE PAIN
Ciclismo de fundo
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Paulo Gonçalves LUSA/FELIPE TRUEBA

O piloto Paulo Gonçalves, que morreu este domingo vítima de uma queda no Rali Dakar, era um dos principais embaixadores portugueses no motociclismo, graças, sobretudo, ao título mundial de ralis cross-country conquistado em 2013 e ao segundo lugar no Dakar 2015. Conhecido no meio por Speedy Gonçalves, o multifacetado piloto conquistou títulos nas várias modalidades que disputou.

A paixão pelas motas nasceu desde cedo, nas traseiras situadas junto da oficina do pai. O talento foi rapidamente reconhecido e daí às primeiras corridas de motocrosse foi um pequeno passo.

Foi no motocrosse e no supercrosse que conheceu os primeiros sucessos, com vários títulos nacionais conquistados, sobretudo frente àquele que foi, na altura, um dos principais rivais, Joaquim Rodrigues Jr., que haveria de se tornar seu cunhado. A rapidez valeu-lhe a alcunha de Speedy Gonçalves, que haveria de se tornar a sua imagem de marca, à semelhança dos desenhos animados de Speedy González.

No início da década de 2000, acumulou o motocrosse com o enduro, no qual conquistou quatro títulos na categoria e um absoluto. Apesar da baixa estatura (1.68 metros) comparado com os adversários, compensava com a agilidade e capacidade atlética.

A vinda do Rali Dakar para Portugal, em 2006, levou à passagem para as grandes maratonas de todo-o-terreno. Aquela primeira edição do Lisboa-Dakar 2006 mostrou a fibra e tenacidade reconhecidas ao piloto português. Uma queda logo na primeira etapa em Marrocos danificou bastante a mota. Passou grande parte da madrugada a tentar segurar as peças em cima desta para conseguir chegar ao acampamento. “Vim com a mota presa por fitas plásticas e fita adesiva”, contaria mais tarde.

Nesses dois anos em que a prova passou por território português, os resultados não foram brilhantes (25.º e 23.º), mas o gosto pelas provas de todo-o-terreno ficou, e foi acumulando experiência até que deu o salto para o estrelato já na América do Sul. Conseguiu o primeiro sucesso na prova em 2011, vencendo uma especial antes de abandonar na oitava etapa.

A experiência acumulada começou a dar frutos e, em 2013, tornou-se no segundo piloto português a sagrar-se campeão mundial de ralis de cross-country, depois de Hélder Rodrigues o ter conseguido em 2011.

Em 2015, conseguiu o seu melhor resultado no Dakar, ao terminar em segundo, com uma especial ganha, apenas atrás do espanhol Marc Coma. Os anos seguintes não foram felizes: em 2016, abandonou à 11.ª etapa, quando já contava com uma vitória em especiais; terminou em sexto em 2017, depois de ter liderado metade da corrida; e, em 2018, nem sequer chegou a arrancar devido a lesão. Em 2019, abandonou na quinta etapa, após violenta queda.

Conhecido por ser um piloto multifacetado, conquistou títulos nas várias modalidades que disputou. Apesar do sucesso na carreira, mostrou-se sempre uma pessoa humilde e acessível, dizem os amigos mais chegados. Gostava de praticar jet ski e, sobretudo, jogar às cartas com os amigos.

Benfiquista assumido, chegou a ser patrocinado pelo clube com direito a apresentação no Estádio da Luz aos adeptos encarnados. Em 2019, trocou a Honda pela Hero: lá encontrou o seu cunhado e grande rival de início de carreira.

Faleceu este domingo, aos 40 anos, como um dos melhores pilotos de sempre do motociclismo português. Deixa mulher e dois filhos menores.