Morreu Qaboos bin Said al Said, sultão de Omã, aos 79 anos

O sultão reinava há quase 50 anos e é-lhe atribuída a modernização e desenvolvimento do país. O primo, Haitham bin Tariq al-Said, foi anunciado como seu sucessor.

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Qabus bin Said fotografado em 1995 REUTERS

O sultão Qaboos bin Said al Said de Omã, que reinava no país há quase 50 anos, morreu na sexta-feira à noite aos 79 anos, vítima de doença prolongada, anunciou a agência de notícias oficial. “É com tristeza (...) que o sultanato de Omã chora (...) o nosso sultão Qaboos bin Said al Said (...) chamado por Deus na sexta-feira à noite”, indicou a agência, ao anunciar a morte do chefe de Estado.

De acordo com a agência Reuters, Haitham bin Tariq al-Said, seu primo, foi anunciado como sucessor numa transição tranquila.

Sem pormenores sobre a causa de morte, a agência indicou que foram decretados três dias de luto, com paragem do sector público e privado, e um período de 40 dias durante o qual as bandeiras vão permanecer a meia haste.

O sultão de Omã, que não deixou descendência sofria há vários anos de uma doença que nunca foi tornada pública. O estado de saúde do monarca era uma questão muito sensível e mantida em segredo, à excepção de algumas viagens ao estrangeiro para exames ou tratamentos médicos.

Com a morte do sultão, a região perde um líder confiável e experiente que conseguiu equilibrar os laços entre dois países vizinhos envolvidos numa luta regional, a Arábia Saudita a Oeste e o Irão a Norte. O novo governante de Omã já veio garantir que vai manter a mesma política externa do seu primo, que diz ter sido construída com base na coexistência pacífica e na manutenção de laços de amizade com todas as nações.

Num discurso transmitido pela televisão estatal, pediu ainda esforços para desenvolver o “pequeno país produtor de petróleo”, numa continuação do caminho do seu antecessor.

Qaboos chegou ao poder em 1970, depois de afastar o pai Said bin Taimur num golpe palaciano, e é-lhe atribuída a modernização e desenvolvimento do país árabe, que conta com grandes reservas de petróleo tal como os vizinhos do golfo Pérsico.

Ao longo do seu reinado, o sultanato manteve-se afastado dos conflitos no golfo e no Médio Oriente, mantendo uma posição neutral entre o eixo sunita, liderado pela Arábia Saudita, e o xiita, encabeçado pelo Irão.

Embora de baixa intensidade, foi o primeiro Governo do golfo Pérsico a estabelecer laços com Israel.