Chengdu: amor à segunda vista (sim, os pandas ajudaram!)

O leitor Paulo Batista partilha a sua experiência na cidade chinesa onde os pandas são as estrelas maiores. Mas há mais para descobrir.

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Base de pesquisa de Chengdu para criação de pandas gigantes
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santuário de Xintoísmo
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,Suzuki GSR750
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Depois de uma viagem de mais de 20 horas, com duas escalas, a chegada a Chengdu, com uma diferença horária de oito horas para Portugal, não começou nada bem. Na viagem do aeroporto para o hotel, cobraram-me 300 renmimbi (rmb), a moeda oficial da China, quando, soube-o mais tarde, o custo não ultrapassa os 60 rmb. Ao chegar ao hotel as coisas não melhoraram, já que o som de Unchained Melody, dos Righteous Brothers, de It’s so easy to fall in love, de Buddy Holy, e de I feel good, de James Brown, pareciam ter tomado conta do espaço, repetindo-se até à exaustão… dia após dia! Confesso, gosto bastante destas músicas, mas, depois desta experiência, não quero ouvi-las nos próximos tempos!

Malas arrumadas, duche retemperador, mudança de roupa, estou preparado para, agora sim, começar a conhecer Chengdu, capital da província de Sichuan, no Sudoeste da China.

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O primeiro impacto é tremendo: Chengdu, uma cidade com cerca de nove milhões de habitantes, destaca-se pelos contrastes económicos e impressionantes arranha-céus, reflectindo a sua importância, cada vez maior, que atrai multinacionais de inúmeros países. Depois, os inúmeros habitantes que circulam pelas ruas, com máscaras de protecção contra a poluição, mas sobretudo o trânsito, esse fantástico “caos ordenado”, onde, como que por magia, tudo parece fluir com naturalidade, apesar de os peões atravessarem passadeiras por entre motas e bicicletas, que parecem surgir de todos os lados, completam um cenário difícil de esquecer.

Como se tudo isto não bastasse, na China a censura e a monitorização online, por parte das autoridades, são uma realidade bastante presente, pelo que não é possível aceder ao Google, Gmail, Facebook, Youtube, Twitter, WhatsApp, etc., o que me condicionou sobremaneira a ideia que tinha de trabalhar, à noite, no hotel.

Enfim, nada que uma visita ao Giant Panda Research Base, ou simplesmente Parque dos Pandas, situado a cerca de 14km a norte do centro da cidade, não resolvesse. Sim, se é difícil resistir a um panda, como consegui-lo com mais de 200, muitos deles bebés? É esta estação de pesquisa dedicada à conservação dos ursos pandas, verdadeiros símbolos e tesouro nacional da China, que dá fama planetária a Chengdu, e que faz com aqui afluam pessoas de todos os cantos do mundo. Como me foi dito, os pandas apenas existem nas províncias de Sichuan, Shaanxi e Gansu, dos quais 74% destes adoráveis animais, que passam a maior parte do tempo a dormir e a comer, estão nesta reserva, onde também é possível ver outras espécies de panda, inclusive os vermelhos.

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Muito mais importante do que as primeiras impressões, e mesmo da visita a alguns dos seus locais mais turísticos, como o monte Emei, a montanha Qingcheng, a Cabana de Du Fu, os santuário Wuhou e Qingyang, o templo Daci, o mosteiro de Wenshu, o museu Jinsha, a praça Tianfu, ou o Parque do Povo, a maior área verde do centro da cidade, no meu entender, o encanto de Chengdu descobre-se quando nos perdemos e embrenhamos nas suas ruas, particularmente de dois dos seus pequenos centros históricos – Jinli e Kuan Xiangzi – e nos misturamos por entre os seus habitantes, extraordinariamente educados e disponíveis para ajudar, pese a dificuldade que a maioria tem com a língua inglesa.

É aqui que, para lá da arquitectura típica e das icónicas lanternas, entramos, verdadeiramente, na cultura chinesa, nas suas tradições e no seu quotidiano, e nos surpreendemos a cada esquina, numa autêntica viagem no tempo, por entre lojas de artesãos e espectáculos, que conferem a estes locais uma atmosfera vibrante.

As conversas nas casas de chá, nos pequenos restaurantes e barracas de comida de rua, que nos remetem para uma das mais prestigiadas culinárias da China, bastante temperada e com sabores picantes inesquecíveis, fazem esquecer o passar do tempo, mas sobretudo o desejo de regressar a esta cidade, uma mistura perfeita entre o tradicional e o cosmopolita da China.

Paulo Batista (texto e fotos)

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