Morreu Neil Peart, baterista e virtuoso dos Rush

“Chamavam-lhe O Professor por alguma razão: todos aprendemos com ele”, lembra Dave Grohl após a notícia do óbito do músico e letrista aos 67 anos.

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Peart em palco em 2002, em Las Vegas Ethan Miller/Reuters

Neil Peart, o baterista e letrista canadiano da banda rock Rush, morreu terça-feira aos 67 após três anos e meio de combate a um cancro no cérebro. Morreu em Santa Monica, na Califórnia, um ano depois de a banda - cujo auge criativo foi atingido entre o final dos anos 1960, quando foi criada, e os anos 1980 - ter anunciado o seu fim.

A notícia foi confirmada sexta-feira pelos seus antigos colegas de banda, o vocalista, teclista e baixista Geddy Lee e o guitarrista Alex Lifeson. Despediam-se do seu “amigo, soul brother e companheiro de banda de mais de 45 anos” após uma luta contra um glioblastoma.

Num comunicado publicado nas redes sociais dos Rush, Lee e Lifeson pedem privacidade para a família de Peart, um dos responsáveis pelo ritmo, mas também pelas letras de um grupo que, desde a sua formação em 1968, teve várias orientações musicais - teve a sua fase de sintetizadores nos anos 1980, um regresso definitivo ao hard rock da sua formação dos anos 1990 em diante e uma passagem pelo rock progressivo entre o final dos anos 1970 e o início dos anos 1980. Neil Peart não é um dos membros fundadores dos Rush, tendo-se juntado à banda apenas em 1974.

“As letras de Peart transformaram as canções da banda em suites de várias secções que exploram a ficção científica, a magia e a filosofia, muitas vezes com sentimentos individualistas e libertários que informam temas como Tom Sawyer e Freewill”, resume o New York Times no seu obituário, citando dois dos temas mais reconhecidos dos Rush. Para a Rolling Stone, não há hesitações em afirmar que Neil Peart “estabeleceu um novo padrão para a virtuosidade no rock”, referindo que o músico era um autodidacta (apesar de ter tido aulas de bateria enquanto adolescente) e citando Keith Moon, o mítico baterista dos britânicos The Who, como sua influência e seu herói de juventude. O New York Times detalha que Peart alargou também o seu kit de bateria para que incluísse vários címbalos e outros elementos que enriqueceram o seu arsenal, e acrescentaram camadas ao som dos Rush.

Tornou-se também no herói de outros bateristas. Dave Grohl, cujo papel no rock moderno se estabeleceu precisamente como baterista dos Nirvana, elogiou Neil Peart num comunicado dado a conhecer na sexta-feira à Rolling Stone: “A sua energia, precisão e composição eram incomparáveis”, disse o Foo Fighter. “Chamavam-lhe O Professor por alguma razão: todos aprendemos com ele.” O cantor, compositor e ex-Beach Boy Brian Wilson lembra-o no Twitter como “um dos grandes bateristas”. Tommy Shaw, dos Styx, recorda como “o seu estilo distintivo deixou uma impressão indelével em milhões de jovens aspirantes a baterista”.

Neil Peart, nascido em 1952 em Port Hamilton, no Ontário canadiano, estendeu a sua actividade criativa a outras áreas, tendo assinado vários livros de ficção e não-ficção. O último álbum de originais dos Rush data de 2012.

Os Rush são uma banda de sucesso, especialmente na América do Norte onde eram presença nas rádios mainstream e protagonistas de concertos de estádio, mas Neil Peart mantinha-se fiel a uma ética de trabalho e a uma postura anti-mercantilista. “O meu objectivo é nunca tratar os valores que aquele rapaz de 16 anos tinha, nunca me vender, nunca me vergar aos poderes estabelecidos. Ceder é algo que nunca poderei aceitar”, disse à Rolling Stone numa entrevista de vida em 2015.