Portugal entra no Euro 2020 de andebol com triunfo histórico

Selecção portuguesa derrotou a poderosa França e colocou-se em boa posição para superar a fase de grupos.

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Paulo Pereira pediu perfeição, os jogadores responderam e Portugal entrou com estrondo neste seu regresso a um campeonato da Europa de andebol 14 anos depois. Nesta sexta-feira, em Trondheim, a selecção portuguesa foi nada menos que histórica, ao triunfar sobre a França, uma das melhores equipas do mundo, por 25-28 (11-12 ao intervalo na jornada de abertura no Grupo D. Frente a uma França muito imperfeita e longe das credenciais com que se apresentou neste Euro 2020, Portugal foi um “monstro” sempre concentrado e aplicado na defesa e no ataque e, de forma tão inesperada como justa, ficou em excelentes condições de seguir em frente num agrupamento onde estava longe de ser um favorito.

Portugal já não estava num Europeu desde 2006, mas, mais que isso, já não ganhava um jogo num torneio continental desde 2002. Não iria ter um regresso fácil frente a uma selecção com um currículo tão vasto como a França – seis vezes campeã mundial, três vezes campeã da Europa, duas vezes campeã olímpica – mas entrava com um bom precedente, o de ter batido esta mesma França em Guimarães (33-27) durante a fase de qualificação em Abril do ano passado. Saber que era possível, era parte do trabalho. Era preciso voltar a ser perfeito.

A selecção portuguesa não entrou propriamente bem no jogo, mas nunca deixou a França escapar. Os “bleus” nunca tiveram mais do que três golos de vantagem, e Portugal, quando conseguiu elevar o ataque ao nível da defesa, tomou conta do marcador, assumindo a liderança aos 23’ (9-10), mantendo a vantagem de um golo até ao intervalo (11-12).

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Esperava-se uma reacção francesa feroz, mas a selecção portuguesa, sustentada pelas defesas de Quintana e por um ataque colectivo em que toda a gente marcava, manteve o adversário nervoso e a duvidar de si próprio. Portugal chegava até a ter a “ousadia” de jogar “sete para seis” no ataque para ir aumentando a vantagem. Nem sempre correu bem e França conseguiu alguns golos fáceis em bolas perdidas pelo ataque português.

Aos 49’, com Portugal em vantagem por dois golos, a França teve um livre de sete metros a seu favor (o único em todo o jogo), mas, mais uma vez, Quintana brilhou na baliza portuguesa. Portugal nunca cedeu o controlo do jogo e aproveitou algum descontrolo francês nos últimos minutos para gerir o resultado com outra tranquilidade - os “bleus” cumpriram os últimos instantes apenas com cinco jogadores.

Numa exibição plena de aplicação colectiva, Diogo Branquinho, ponta do FC Porto, foi o melhor marcador da selecção portuguesa (cinco golos), seguido de André Gomes e JoãoFerraz (ambos com quatro). Rui Silva, com dois golos, foi considerado o melhor em campo. Do lado francês, Dika Mem marcou cinco golos, seguido de Fabregas (quatro) e Karabatic, também com quatro, mas com influência muito reduzida na segunda parte.

No outro jogo do agrupamento, a Noruega fez valer o seu favoritismo e derrotou, também em Trondheim, a estreante Bósnia por 32-26 (17-12 ao intervalo). Com este resultado, a selecção nórdica assumiu a liderança do grupo graças à diferença de golos (+6), seguindo-se a selecção portuguesa (+3). Tanto Noruega como Portugal podem garantir o apuramento para a fase seguinte na próxima jornada se vencerem na jornada do próximo domingo - a actual vice-campeã mundial terá a França pela frente, enquanto os comandados de Paulo Pereira defrontam a Bósnia.